Obra de arte da Biosfera revela-se arrojada junto a espaços religiosos em Santana

Estátua da Biosfera A
A peça de arte com a Igreja em fundo incomoda uma parte da população num concelho tradicionalmente conservador.

Estepilha, é claro que arte é arte e por ser arte não se discute. E hoje, com o andar dos tempos, nem a arte nem os nús da arte constituem já um grande problema, retratando a forma como fomos postos no mundo antes de alguém nos vestir qualquer coisinha para depois irmos compondo com vestuário e mais vestuário pela vida fora, com a diferença a estar nos gostos, alguns de duvidosa qualidade, mas que tal como a arte, não é para discutir, é para ver, gostar ou não gostar, lembrando de Adão e Eva mas não vivendo como eles.

Em Santana, a distinção de Reserva Mundial da Biosfera, sabemos bem, foi como que a salvação do concelho. Deu para tudo e tudo serviu para dizer que, agora, com a Biosfera, o concelho ia ganhar anos de vida, de vida e de dinheiro, uma vez que o Turismo, que já é um dos pontos fortes, ia ganhar dimensão tal que nunca mais parava. Viu-se que não foi assim, é um processo mais lento, como era de prever, com uma inquestionável mais valia, mas com muito trabalho para fazer.

Mas enquanto ia a euforia do momento, o jardim da Biosfera “caíu que nem ginjas”, como diz o povo. E mesmo ali, ao pé da Igreja e ao pé de uma instituição de religiosas, nasceu uma obra de arte que os mais idosos ainda hoje se arrepiam, mas que também já se habituaram a ver. Dizem que “o mau gosto é livre” e a “falta de sensibilidade também” para de certa forma explicarem que nunca deveria ter sido feito naquele local.

Estatua da Biosfera B
Este espaço de arte, no Jardim, homenageia a distinção de Santana Reserva da Biosfera.

Estepilha, mas que mal tem? A juventude acha bem e algumas pessoas com mais anos até podem não achar bem, mas também não acham mal de todo. Há de tudo. Os mais reservados, no entanto, têm um argumento que, dizem, poderia ter estado presente aquando da obra encomendada, dizem mesmo que Santana tem costumes, as pessoas os seus hábitos e vivências mais ou menos recatadas e conservadoras, pelo que “deveria ser respeitada Igreja e o convento das irmãs”. Uma questão de princípio dos bons costumes.

Mas vamos lá ver que mal é que tem a estátua. É uma esfera e por cima da esfera uma mulher em tronco nú e em pose artísticamente arrojada. Arrojada para a zona. Arrojada para qualquer zona, entendendo-se arrojada a interpretação que cada um dos nossos leitores possa dar à palavra.

O povo de Santana, pelo menos uma parte, ainda hoje, tem dificuldade em “engolir” aquela Biosfera a meio do jardim. Cada vez que vai à missa, o povo olha de lado. E muitos já nem olham porque já sabem que está lá. É a vida, é a arte de uma distinção que todos esperam vá muito mais além da imagem em cima da esfera.

A arte é para ver e desfrutar. Em Santana ou noutro lugar qualaquer.