FN no Aeroporto: passageiros impacientes ironizam “Querem o ferry? Resolvam primeiro ao Aeroporto…”

Uma realidade pelas 11h00 de hoje, 7.8.17.Fotos e vídeos FN

Do Funchal a Santa Cruz, o sol ilumina a ilha como se o mau tempo fosse realidade noutras paragens longínquas. Eis que entrados em Santa Cruz, a ventania toma conta de todos e o mar raiado de branco pelo bater das ondas deixa antever o pior no Aeroporto.

O desespero dos passageiros não deixa ninguém indiferente. A gare das partidas é ocupada por uma multidão que passou o fim de semana à espera de chegar ao seu destino e que continua retida na mira do seu voo. Sentados no chão, de pé, a dormitar ou nos chats dos iphones, tudo vale para passar o tempo, num cenário nada abonatório para a imagem turística da Madeira.

Há uma diversidade de línguas que ecoa num mar de gente visivelmente insatisfeita mas animada com o facto de, hoje, já se sentir o barulho dos aviões a aterrar e a descolar, apesar do vento continuar a soprar com a habitual teimosia. A impaciência é grande e, alguns madeirenses que viajam na easyjet, expressam a sua revolta nestes termos: “Querem o ferry para a Madeira? Que tal resolver primeiro o sarilho que é os ventos no Aeroporto em vez de nos entreterem com tendas de acolhimento e outras conversas?”

Sim, o ambiente de desapontamento pesa. Outros, mais racionais, lembram que o ferry é bem necessário e, que se existisse, seria outra solução para escoar muitos passageiros. A conversa resvala para as companhias. “Voos caros que nós pagamos nesta altura, mesmo com o subsídio, e dias a fio de seca neste quarto sem condições nenhumas nem atenção devida aos passageiros”.

No bar, a faturação está garantida. Filas de passageiros para entreter o tempo com o café e o snack, ao mesmo tempo que debruçam o olhar sobre a pista a ver se o movimento começa a fluir com mais celeridade. Os preços no bar estão longe de serem baratos mas não há alternativas. Na pista, meia dúzia de aviões da Monarck, Esayjet… Meia pista vazia. Mas o cenário tende a compor-se com as aeronaves a chegarem e a partirem. Do varandim sobre a pista, o vento quase que leva pelo ar os passageiros, refreando os sonhos…

Os jornalistas dos vários órgãos de comunicação dão o filme dos acontecimentos, ao mesmo tempo que as carrinhas de turismo e táxis ocupam as faixas de entrada do Aeroporto, num movimento acelerado de transporte de passageiros que tentam a sorte de embarcar hoje sem falta, apesar do alerta amarelo se prolongar até amanhã, 8 de agosto.

Pelas 13h30, o ruído das aeronaves a descolar anunciam que a operação está a ser gradualmente retomada para júbilo sobretudo dos passageiros que aguardam em terra. Mas, impõe-se a pergunta: até quando? Talvez até os ventos regressarem para pregar as partidas do costume. São os Éolos- da antiga mitologia grega – a tomarem conta de uma modernidade tecnologicamente evoluída mas muito longe ainda de domesticar a natureza em fúria.

Entretanto, o balcão da Groundforce é o mais solicitado do Aeroporto. Uma espécie de “confessionário” dos passageiros que veem a vida transtornada com a novela cíclica dos ventos sobre este frágil Aeroporto.