Sidónia Nunes escolhida pela direção clínica para dirigir o Serviço de Pediatria do Hospital

Sidónia Nunes, quando assumiu as funções de presidente do conselho de administração do Sesaram, no mandato de Miguel Ferreira. Foto de arquivo in DN-M.

O Serviço de Pediatria do Hospital Dr Nélio Mendonça tem novo diretor. Chama-se Sidónia Nunes e já está em funções a substituir o neuropediatra Rui Vasconcelos que se aposenta.

Mas a saída de Rui Vasconcelos, à frente do Serviço há vários anos, é apenas um “até já”. É que, a exemplo de outros médicos, o Sesaram vai celebrar um contrato de prestação de serviços com o médico, que oficialmente se aposenta, para depois reafetá-lo aos serviços, já não como diretor mas somente médico.

A direção do Serviço de Pediatria só poderia ser exercida por  profissionais com a graduação de assistente hospitalar sénior. Rui Vasconcelos, Sidónia Nunes e Ana Marques eram os três únicos médicos com a respetiva graduação, sendo que o primeiro saiu para a reforma. A direção clínica decidiu escolher Sidónia Nunes, também com grande experiência hospitalar, low profile, para chefiar o Serviço. A nova diretora já foi diretora clínica do Sesaram e até presidente do conselho de administração, no tempo da gestão do médico Miguel Ferreira.

A pediatria é uma das áreas nucleares da saúde e também a este nível as solicitações dos utentes são tremendas. Bem recentemente, o Sesaram contratou médicos pediatras espanhóis para colaborarem na urgência e, numa primeira fase, a desorganização do sistema foi notória já que não estavam criadas as condições logísticas de acesso ao sistema informático e emissão de receitas, o que causou alguma perturbação. Neste momento, o FN foi informado de que já tudo terá sido superado e que a cooperação desses médicos, ao abrigo de um programa, é vista como uma mais-valia para dar resposta às muitas solicitações do Serviço.

Coragem para cortar com os lobbies da saúde

Os profissionais de saúde contactados pelo FN afiançam que o problema da saúde na Madeira não é tanto de pessoas mas de uma urgente reformulação do sistema regional de saúde porque as disfunções mais do que evidentes estão à vista a nível hospitalar e centros de saúde. Mudar secretários e diretores num sistema estruturalmente desadequado e obsoleto é dar paliativos a uma máquina em rutura ou em queda livre. Neste momento, segundo nos referem, as pessoas cada vez mais fazem do banco de urgência um supermercado de consultas abertas, com o inevitável desgaste dos médicos que aqui prestam serviço, alguns deles já forçados a manter esta escala contra a sua própria vontade e até saúde, mas apenas para garantir a resposta aos utentes.

Quem conhece de gestão de saúde assegura que isto só muda com uma renovação transversal do sistema, adaptado aos novos tempos e liderado por alguém com ideias novas e acima dos muitos lobbies que vão minando a qualidade do sistema e mantendo o status quo que em nada beneficia os utentes, criando o desânimo e cristalização de quem está no ativo e promovendo nem sempre os mais competentes mas os mais disponíveis.