“É preciso cortar com o medo, o PSD não manda na ilha, já passaram 43 anos do 25 de abril”, diz o candidato do BE em Machico

Machico BE-Ricardo Giestas
Ricardo Giestas: “Já não é altura de estarmos com este medo de perder o trabalho se formos candidatos por outros partidos”.

Foi o gosto pelo combate político que o levou a esta candidatura à Câmara de Machico, na lista do Bloco de Esquerda, onde é militante há ano e meio. É natural do concelho por onde se candidata, tem 30 anos, formação em História e diz que o maior trabalho a fazer é de mentalidades, do género “se me veem a falar com alguém do BE perco o emprego”. Considera essa realidade de hoje um problema e diz que “os jovens não se interessam pela política precisamente porque os políticos não se interessam pelos jovens”.

Para Ricardo Giestas “as políticas seguidas afastam a juventude. As câmaras não têm nada para os jovens, não têm políticas específicas nesse sentido e limitam-se a querer mostrar obra. É importante que os municípios tenham uma atenção especial com a juventude, no sentido de trazê-la para os problemas do dia a dia, que lhe dizem respeito e para os quais gostariam de ter soluções. É preciso fazer um trabalho nessa perspetiva, não só organizando eventos, mas ensinando-lhes o que é participar na política ativa, dizendo-lhes que é possível terem uma participação”.

Aproximar poder autárquico à sociedade

A aproximação do poder autárquico à sociedade é um dos assuntos que vai merecer, da parte do candidato, uma atenção especial. Diz que o sucesso das políticas passa muito por aí. “Uma Câmara sem povo não existe, é necessário que quem foi eleito vá ao encontro das necessidades dos eleitores, saindo da Câmara e indo ao terreno, ao encontro das pessoas, ouvindo os problemas e procurando soluções”.

A componente social é um assunto mais ou menos transversal a todas as candidaturas. Fica bem falar na proximidade com as pessoas e isso acontecer em período eleitoral, com promessas de ouvir os problemas. Mas quando confrontamos Ricardo Giestas sobre que diferença vai marcar a sua campanha, no fundo tendo o mesmo objetivo de abordar o social e uma política de proximidade, mas de modo muito particular e próprio, responde que “o Bloco de Esquerda tem a sua estratégia, que passa pelas visitas a cada freguesia, que por sua vez tem especificidades muito próprias, que também devem merecer uma leitura diferente daquela que for feita numa outra freguesia. Temos que estar dentro da sociedade, estar junto dela, para podermos ter a perceção do que se passa e do que pode ser feito. O caminho é este, a forma de estar do Bloco é esta”.

Idosos e emprego são preocupações

O candidato aponta carências “enormes” que o concelho tem em termos sociais. “Os idosos, por exemplo, têm muitos problemas por resolver. A rede de autocarros é péssima, os acessos a estes, por parte de pessoas com mobilidade reduzida, pura e simplesmente não existem. O apoio domiciliário é pouco e deve ser alargado”.

Ricardo Giestas tem, também, as atenções viradas para a criação de emprego. Diz que o desemprego é um dos problemas mais graves, mas lembra que em primeiro lugar “é preciso incentivar a fixação de empresas, que vão criar emprego e, então sim, termos uma ação na fixação dos jovens. A Câmara deveria ter um programa de incentivos fiscais ao mercado empresarial para que este tenha vantagens em vir para o concelho, da mesma forma que em matéria de agricultura, deveriam ser criadas pontes entre a autarquia e o Governo com os agricultores, numa articulação que vise o normal funcionamento e canalização de fundos disponíveis”.

Vereação preocupada com luta PSD/PS

Machico-BE-Ricardo Giestas B
O candidato do Bloco diz que as câmaras não têm políticas para a juventude.

Do trabalho feito pela Câmara de Ricardo Franco, o BE tem observações e críticas a fazer. Além de considerar que descurou o social, diz que a atual vereação “está mais preocupada com a guerra interna com o PSD e isso acontece ao contrário tanmbém. Um diz A, outro diz B, andam assim constantemente. É importante que tanto o PSD como o PS saiam daquele registo de acusações mútuas. São iguais quando estão no poder. A lógica dos concursos para admissão de técnicos é igual, quer esteja o PSD na Câmara, quer esteja o PS. Está a decorrer um concurso para técnico superior, que foi aberto à medida de alguém. Não é possível esta incoerência, criticaram a anterior vereação por determinados procedimentos menos transparentes e fazem o mesmo”.

Queremos ser honestos, ser verdadeiros

Convencer um eleitorado conservador é difícil. O Bloco sabe disso, Ricardo Giestas concorda. “Mas não é impossível”, contrapõe. A juventude poderia ser, se votasse, um foco de esperança? O candidato lembra que muitos jovens que andam na vida política ativa “estão na JSD”. Dos outros, há os que estão a estudar no Continente, outros já foram para o estrangeiro e outros ainda que nem recenseados estão. Ficam aqueles que podemos sensibilizar a uma participação no momento do voto para conseguirmos alterar alguma coisa”.

Têm medo do “bicho papão” da esquerda

A campanha porta a porta é, por norma, uma estratégia habitualmente seguida pelo BE. Em Machico, também será assim. “Queremos sobretudo ser honestos, dizer a verdade, explicar os motivos da candidatura e as diferenças relativamente a outras forças políticas. E também tentar não afastar as pessoas pelo facto de sermos do Bloco de Esquerda, como já aconteceu. Há pessoas que têm medo do “bicho papão” da esquerda e ainda acham que é o PSD quem manda. E já passaram 43 anos do 25 de abril de 74. É preciso cortar com o medo, o PSD não manda na ilha, já não é altura de estarmos com este medo de perder o trabalho se formos candidatos por outros partidos. Mas também sabemos que há pessoas que foram avisadas e ameaçadas. Temos que ver como isto acontece, estudar as razões”.

BE com “fulgor” na Região

A par das críticas ao PSD, no âmbito regional, Ricardo Giestas volta-se especificamente para a Câmara de Machico, de gestão socialista. Diz que alguns procedimentos, “são muito parecidos com aqueles praticados pelo PSD, também no que diz respeito a algumas informações que são solicitadas”. Quer o Bloco a ganhar representatividade para “denunciar as situações menos claras” e quando abordamos a questão do ponto de vista da dimensão que hoje tem o Bloco de Esquerda na Região, o candidato não tem dúvidas em afirmar que o BE é um partido “com muito fulgor, vai crescendo e procurando ir ao encontro das necessidades das pessoas”.