Susana Prada e oposição degladiam-se na Assembleia por causa da água de rega

A temática das águas de rega e das suas perdas na rede dos municípios está na ordem do dia na Assembleia Legislativa Regional, num debate potestativo convocado sobre o tema, pelo JPP. A secretária regional do Ambiente e dos Recursos Naturais,  Susana Prada,  já assumiu que existem grandes perdas da rede, afirmando que a rede mais eficiente é a do Porto Santo, sendo a menos eficiente a de Machico. Quanto ao Funchal, é responsável por metade das perdas da água de rega na RAM. Há ainda municípios que não são aderentes à ARM – Águas e Resíduos da Madeira, dos quais o Governo alega não ter todos os dados considerados necessários.

Susana Prada disse que, apesar de nos parecer abundante, a água na ilha da Madeira sofre de constrangimentos,  variando a sua disponibilidade ao longo do ano e variando também a sua distribuição geograficamente. A costa norte tem maior abundância. As levadas garantem,  desde há séculos,  o abastecimento das zonas a sul, de água potável,  inclusive.

“O que é cada vez mais raro, e cada vez mais difícil de conseguir,  é ter água disponível onde a queremos e como a queremos, em volume e quantidade”, referiu.

“Temperaturas mais elevadas e menor precipitação levam a uma diminuição da infiltração,  efeito esse que se reflecte na diminuição dos caudais das nascentes e das galerias de captação da água”, disse. Um efeito que se espera,  infelizmente,  que se venha a agravar.

Porque a água é um recurso finito, importa investir na manutenção das infraestruturas, de forma a satisfazer as necessidades actuais e futuras (…), declarou. Por isso, a ARM, que gere a área de regadio na RAM, tem em fase de concurso e de execução,  projectos no valor de 38 milhões de euros, frisou. Trata-se de obras de recuperação de canais, em especial os secundários , onde, assumiu, se verificam perdas de água signicativas. Investimentos em reservatórios permitirão gerir melhor o sistema e aumentar a capacidade de armazenamento de água para utilização nos períodos de maior carência. A monitorização e gestão remota do regadio também poderá tornar a sua distribuição e controlo mais eficaz e cómodo.

Prada apelou também a que “não nos esqueçamos também do apoio funanceiro de 5 milhões e meio de euros,  facultado às Associações de Regantes, através do PRODERAM,  para beneficiação e recuperação de sistemas de regadio privados.

A governante abordou na sua intervenção de forma enfática as perdas de água nas redes de abastecimento público.

Nos últimos anos,  disse,  tem havido um sucessivo aumento do volume de água solicitado pelos municípios,  isto sem que se tenha verificado uma alteração significativa do número de habitantes.

Entretanto, Susana Prada tem enfrentado numerosas críticas por parte dos partidos da oposição,  que consideram que a distribuição de água de regadio ocorre de forma irregular,  como o salientou,  por exemplo,  Raquel Coelho, do PTP,  o que tem como consequência dificuldades sérias na gestão prolongada das explorações agrícolas,  o que tem causado sérios abandonos da actividade da agricultura,  fazendo com que a mesma perca importância na economia regional, deixando os terrenos ao abandono e causando mais desemprego no arquipélago.

Susana Prada enfrentou numerosas outras críticas. Roberto Almada, do Bloco de Esquerda, pôs em causa a capacidade da Águas e Resíduos da Madeira para dar conta da resolução das questões relativas ao fornecimento de água potável e para a agricultura,  afirmando mesmo que  o actual presidente do Governo, Miguel Albuquerque,  quando era edil da CMF não quis aderir à ARM, o que levava a crer que não depositava grande confiança na mesma para tratar a sensível temática da água.

Por outro lado,  o deputado independente Gil Canha,  e outros, como Élvio Sousa, do JPP, também “fuzilaram” a secretária com acusações,  levando inclusive a alguma exasperação da mesma, principalmente com o JPP. Segundo Prada, as perdas de água em Santa Cruz também são elevadas (como aliás tem sido denunciado também por Cláudio Torres, candidato do PS à autarquia), situando as perdas na mesma ordem das de Machico.

Susana Prada chegou a referir que a ARM não tem culpa de que os municípios deixem a rede de água degradar-se, e a reafirmar a sua fé na competência da instituição.

A secretária sublinhou que há múltiplos apoios a fundo perdido para a recuperação das e desculpa,  cobrindo os custos em 85 por cento. Acusou também a CMF de não era realizado qualquer investimento nestas redes durante três anos, entre 2010 e 2013. Já o centrista Rui Barreto criticou os autarcas por não investirem na água… porque em seu entender,  não dá votos.

Élvio Sousa protagonizou um curioso momento no debate, questionando as facilidades de pagamento concedidas aos que querem pagar a água de rega a prestações: Susana Prada respondeu que são concedidas facilidades de pagamento,  sim… e surpreendeu ao revelar que a média de pagamento da água de rega, ao ano, é de 20 euros… e mesmo quando se trata de dez euros, deixa-se que as pessoas, que tanto se queixam,  paguem a prestações…

Em meio ao aceso debate, Susana Prada deu a conhecer que 9 km de canais de rega, em Campanário,  Santa Cruz e Gaula, estarão em breve recuperados.