É madeirense? Habitue-se a tomar café com lagartixas num hotel de quatro estrelas…

Foto FN.

Um conhecido hotel de quatro estrelas, nesta cidade, expandiu o seu serviço de bar para a beira mar. Até este ponto, e porque cumpre com os requisitos legais, nada a opor. Turismo é que não falta para encher as unidades hoteleiras e respetivos bares promenade que proliferam à beira mar.

Mas eis que as estrelas do hotel, garantia de qualidade, nem sempre falam mais alto quando se prestam certos serviços. Uma vez sentados no bar exterior do hotel, estilo deck – porque o bar da piscina não permite a presença de crianças – eis que roliças e longas lagartixas irrompem avidamente do improvisado piso de madeira, intervalado com aberturas no chão. Debaixo de um sol de domingo escaldante, os bichos saem da toca e toca de assediar os clientes…

Resultado: tomar o café de pé, a correr, não vá a lagartixa entrar na sacola ou fazer de outro sítio inapropriado habitat. Uma vez chamada a funcionária de apoio à piscina do hotel e ao improvisado bar, comenta, com a anuência das colegas, com o ar  mais natural do mundo: os madeirenses já estão habituados às lagartixas nos bares, nos hotéis, em casa … Tem razão! Às lagartixas, aos ratos da improvisada praia na Avenida do Mar e a tudo quanto é bicharoco que enaltece a qualidade “gold” deste destino e da proliferação dos prémios “eco” dos hotéis. E quem não gosta, toma de pé o café, a correr, pague bem paga a conta – porque o preço não olha a bichos nem a bicharocos, a turistas ou residentes – e agradeça ainda por ter entrado no hotel de um dos maiores grupos hoteleiros da Região.

O cliente pagou a conta e dirigiu-se à receção para pedir o livro de reclamações. Mais uma novidade: parecia que estava a solicitar algo do domínio lunar. A funcionária queria saber primeiro o assunto e o cliente apenas queria exercer o seu direito legal de reclamar. Ainda demorou alguns minutos a chegar o livrito da lei: primeiro ligou ao diretor, depois tinha de abrir o cofre e tirar o pouco usado livro. Ficou registada e identificada a reclamação de uma madeirense, residente, que se orgulha de viver numa Região turística, com excelentes unidades hoteleiras e que, pela primeira vez, se confrontou com um serviço de hotelaria que obriga o cliente a tomar café com direito a diversão obrigatória de lagartixas a passearem junto aos pés. No velhinho e mal habituado estilo do “come e cala”.

Tratando-se de uma unidade hoteleira que pertence a um grupo reputado, o FN acredita que nenhum dos seus responsáveis se revê nestas práticas. Há muito, muito turismo e o tempo é de pujança económica. Mas, de grão em grão…