Carta ao Presidente do Governo Regional da Madeira

 

Exmo sr. Presidente do Governo Regional da Madeira:

Espero que se encontre bem de saúde.

Vai pensar logo quando ler estas linhas a propósito das notícias sobre o Sistema de Saúde na Madeira, que é mais uma do mesmo padre que se levanta só para dizer mal, como alguns gostam de fazer rapidamente só para desvalorizarem e se demitirem da responsabilidade que todos temos sobre o bem comum. Por isso, esqueça que é um padre, concentre-se num cidadão preocupado e que cada vez que lê uma notícia sobre as faltas e confusões nos nossos hospitais pensa logo, mas afinal o que é isto?; O que andam a fazer os nossos responsáveis pela saúde dos cidadãos?; Que sensibilidade têm sobre os males que acontecem aos outros?; quando forem os da minha família ou quando for eu como me vou sentir? (…) – Ficam estas perguntas entre tantas outras que poderiam ser feitas.

Seguro isso sim, a saúde na Madeira anda doente, por isso, é necessário deitar-lhe a mão para que se cure rapidamente. Mas, antes de mais gostaria de prestar a minha homenagem a todos os verdadeiros profissionais da saúde da madeira, que face a tantas dificuldades se mantêm todos os dias dedicados, cumprindo o seu dever, apesar de não poderem contar com tudo o que é necessário para realizarem o seu trabalho condignamente, porque quem deve não cumpriu ou devia cumprir.

Há tanto tempo que se ouve falar de falta de remédios, de médicos, de listas de espera, demissões, mudanças de Secretário da Saúde, faltas e mais faltas de tanta coisa e um rodopio de pessoas que mais parece que a saúde das pessoas é coisa de somenos e que só fica doente quem anda pouco precavido ou quem não tem mais nada para fazer.

Sr. Presidente, não podemos continuar assim com esta instabilidade no nosso Sistema de Saúde. Os cidadãos estão cansados de serem vítimas de jogos baixos de política baixa, de incompetências inadmissíveis, de falta de dinheiro suficiente para fazer funcionar bem uma realidade tão sensível na vida das pessoas. Estar doente não é um prazer, estar doente é uma desgraça, que pode atacar o corpo de qualquer pessoa, mas não pode ser ainda mais desgraça, o cidadão doente ser confrontado com faltas elementares para aliviar as suas dores e saber que por ali pode vir a ser curado, mas se tiver que morrer que seja com dignidade.

Face à última notícia de que faltava medicação para o tratamento do cancro, pensei o seguinte: mais uma para desmentir a propaganda dos milhões e os remendos que se vai deitando aqui e ali no hospital para fazer notícia positiva no dia seguinte de que se está a fazer coisas em relação à saúde, mas que no geral o seu funcionamento continua deficiente, afinal, doente porque quem deve dar-lhe a cura parece não se importar com isso.

Mas ainda pensei o seguinte. O investimento na saúde não dá votos, é coisa pouca para mostrar obra feita, porque saúde é realidade do dia a dia, conta corrente e dinheiro investido aí não rende votos, não dá lucro imediato e nem muito menos cala lóbis. Se for esta a lógica, então batemos no fundo e perdemos todo o sentido da ética, toda a sensibilidade compassiva em relação a quem está doente.

Com tudo isto deverá achar que estou a ser injusto e malévolo. Mas, olhe que não… Estou a ser realista e as notícias negativas sobre o hospital são apenas a ponta mais ruidosa da conversa geral na nossa terra neste momento.

É de salientar que, felizmente ainda há pessoas que dizem maravilhas dos tratamentos e cuidados que receberam em determinados serviços da saúde nos nossos hospitais, mas noutros, só se ouve cobras e lagartos. Eu próprio posso testemunhar essa onda positiva e negativa em relação a pessoas que me são próximas.

Não acredito que o sr. Presidente fique indiferente, impávido e sereno, quando lê como nós, as notícias sobre listas de espera, demora na marcação de consultas, constantes adiamentos das consultas, falta de medicamentos, médicos que saem e outros que não querem entrar, reclamação de alguns utentes como doentes, acompanhantes ou visitadores (…). Tantas notícias reincidentes sobre faltas e péssimo funcionamento de uma realidade tão importante na vida das pessoas. A nossa saúde é o bem maior que nós temos, por isso, estarmos a ver nos outros quando estão deontes, o que pode acontecer a um dos nossos ou a nós mesmos a qualquer momento, é algo muito dramático e preocupante.

Por isso, sr. Presidente do Governo, Dr. Miguel Albuquerque, pelo pouco que conheço de si e pelos vários diálogos que já cruzamos, penso ser suficiente, para alertá-lo e pedir-lhe atenção à saúde da Madeira.

Lembro-lhe o que já sabe e que todos os políticos gostam de fazer. Precisamos de obras para inaugurar, precisamos de todas as modalidades do desporto, precisamos de festas, precisamos de tudo a funcionar convenientemente, mas também precisamos de um bom Sistema de Saúde, que nos dê segurança e nos faça acreditar que na doença podermos contar com a dignidade possível e que essa dignidade será garantida pelo Estado a quem confiamos a gestão dos elevados impostos que andamos a pagar.

Sr. Presidente, muita atenção a este domínio da saúde dos madeirenses e estancar este sangramento de negativismos que nos rodeia é urgente, não com mais notícias sobre remendos aqui ou ali, para fazer manchetes informativas, mas com o dinheiro necessário para que os profissionais da saúde possam cumprir a nobre missão dos tratamentos dos doentes como deve ser.

Espero que esta missiva não lhe faça mal nem muito menos o exaspere, antes tome-a como uma achega alerta, porque o que nos move tem um apenas um nome simples mas muito importante para a segurança do nosso futuro: dignidade. Na saúde, e particularmente, na doença.

 


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