Oposição acusa Governo de não criar regras equitativas para a comunicação social e de bloquear crescimento das novas plataformas digitais, enquanto apoia rádios locais sem noticiários

Fotos: Rui Marote

O deputado do JPP, Élvio Sousa, insistiu junto do presidente do Governo Regional, na Assembleia Legislativa Regional, que a portaria MEDIARAM não é suficientemente equitativa e não proporciona igualdade de oportunidades às novas empresas de informação que apostam no digital, porque não lhes oferece os apoios necessários para que possam crescer e evoluir, transformando-se em empresas mais fortes e capazes de dar emprego a mais jornalistas. As ditas empresas ficam coarctadas na sua possibilidade de evoluir, deixou implícito. Mas Albuquerque não aceitou esta perspectiva, considerando  que a MEDIARAM é “para apoiar órgãos de comunicação social com pelo menos quatro jornalistas a tempo inteiro”, e que, sendo assim, não se vai desbaratar apoios públicos em empresas que “podem abrir para depois fechar”.

Uma perspectiva que foi contestada por Roberto Almada,  do Bloco de Esquerda,  que contrapôs que as rádios regionais, várias das quais nem cumprem  obrigações de cumprir com notíciários regionais,  recebem apoios substanciais,  quando têm, aliás, pouquíssimos trabalhadores. Almada aproveitou para deixar claro que o seu partido rejeita qualquer acusação de interferência na RTP-Madeira e na sua direcção.

Albuquerque insistiu que o MEDIARAM quer apoiar os órgãos de CS, mas “não blogues”. Sublinhou ainda que há dois representantes da ALRAM a acompanhar a evolução da portaria, pelo que “mais claro do que isto, é impossível”.

Insistiu que o GR quer apoiar “órgãos de comunicação sérios,  feitos por jornalistas”, daí a exigência de um mínimo de postos de trabalho permanentes.

Por outro lado, Jaime Leandro, do PS, fez um ataque directo no sentido de considerar que “é mentira que não se queira controlar nada” na comunicação social. Até porque o Governo Regional,  e “algumas autarquias mais abastadas” estão a sustentar órgãos de comunicação regionais na  imprensa escrita, mas não é através da portaria MEDIARAM, mas sim através de gordos e caros suplementos e páginas publicitárias.

Já Sílvia Vasconcelos, do PCP, preferiu falar das circunstâncias de precariedade de trabalho dos jornalistas.

Já o deputado Gil Canha acusou o Diário de Notícias de fazer uma “clonagem” de si próprio no Jornal da Madeira, e acusou Michael Blandy e José Câmara, do Diário de Notícias,  de levarem Paulo Cafôfo “ao colo” e de “nunca mais ter publicado nenhuma notícia desfavorável ao mesmo”, mais uma vez devido aos apoios publicitários de grande monta.

Neste sentido, também Jaime Leandro insistiu com Miguel Albuquerque para que divulgasse quanto é que o Governo Regional gastou ou vai gastar em cadernos publicitários no DN.

Raquel Coelho,  por seu turno, questionou  o “timing” da discussão da comunicação social,  numa altura em que já está tudo decidido, tudo feito, e o JM entregue ao consórcio ACIN – Avelino Farinha.

O secretário regional da tutela,  Sérgio Marques,  garantiu por seu turno que os apoios do Governo Regional são “transparentes”, mas considerou que os apoios que são concedidos pela CMF “estão rodeados por uma nuvem de opacidade”.

Vários deputados, entre os quais Raquel Coelho,  denunciaram “um passadiço do Diário de Notícias para o outro lado da rua”, e disse que se recusavam a considerar o GR merecedor de aplauso pela forma como “resolveu” a situação do JM, entregando-o a grandes grupos económicos, assumindo um passivo de milhões e vendendo-o por dez mil euros.