Afinal, o que é isto?

É impossível não ficar indignado com um video que acabo de ver, relativamente a uma agressão, ocorrida com alunos de uma escola secundária do Continente, a um jovem de 15 anos. Agressões bárbaras, pontapés na cabeça, sem revelar qualquer respeito pela vida humana e que em nenhum momento a adolescência pode explicar ou justificar este ato de terror, que o jovem viveu e que nós sentimos ao visualizar as imagens. Um problema que exige, de todos nós, mas sobretudo das autoridades, uma reflexão profunda, uns pela sociedade que estamos a criar, outros pela aplicação das punições que as leis provavelmente não permitem ir onde deveriam para casos destes, até como forma de prevenção de um Estado de Direito.

A ocorrência teve lugar em novembro, mas só agora foram divulgadas as imagens, nesta inexplicável e perversa necessidade de colocar estes atos considerados “heróicos” nas redes sociais, não se sabe se para enaltecer um falso domínio de grupo, se para revelar a cobardia de um ataque de dez jovens a um, este atraído para um encontro e confrontado com agressões completamente inadmissíveis, mesmo que não se saiba a história toda, mesmo que existam contornos não revelados. Nada justifica. Queriam mostrar força e o que se viu foi a fraqueza de grande parte da sociedade ali retratada. Infelizmente.

Não sendo caso isolado, porque já antes aconteceram situações destas, cujo desfecho, em termos de punição, desconhece-se, porque o mediatismo aborda o assunto nesse momento mas não o acompanha para ver o que acontece, a verdade é que ninguém pode deixar passar em claro situações que deveriam merecer punição exemplar. São miúdos e sabe-se que entre miúdos as coisas nem sempre são fáceis e até, em todos os tempos, ocorreram episódios de violência física entre jovens, que não passavam de desavenças momentâneas, sanadas pouco depois sem grandes consequências. Isto não, isto vai para além do entendimento, para além do minimamente razoável na interpretação do mundo adolescente. Isto é crime e deve ser entendido como tal. Isto revela o que estamos a criar, não generalizando como é óbvio, mas é uma situação cada vez mais visível, porque também o mundo da comunicação é maior.

Nem os pais, muitos a viverem num mundo de permissividade, que irá inevitavelmente virar-se contra eles, nem a escola que diz não ser a sua função controlar situações destas, mas sim apenas ensinar o que os currículos apontam, nem a sociedade, que assobia para o lado numa paz podre que pode ter, também nestes casos, o efeito “boomerang”, nenhum deles pode ignorar um certo mundo de adolescência, que não é mais do que o reflexo de erros cometidos e que vai ser o cabo dos trabalhos para reparar.

Havendo o cuidado de não generalizar episódios destes, nem de através deles classificar uma geração, nada disso, é preciso, no entanto, olhar de frente para estes problemas e, quando aparecem nesta dimensão, não desculpar, atuar em conformidade e não escudar-se nos coitadinhos para classificar comportamentos deficientes que, pura e simplesmente, não se compaginam com uma sociedade civilizada, de valores e de respeito pelas pessoas e sobretudo pela vida humana. E ali, são tão responsáveis os agressores como os que assistiram.

É preciso refletir. Mas é preciso atuar…


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