O flagelo do desemprego

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O desemprego é um dos flagelos sociais que sempre atingiu o país, que não escolhe idade ou profissão, que apanha milhares de pessoas desprevenidas, pondo em causa a sua forma de vida e por isso é uma constante preocupação em todos os governos, quer sejam de esquerda ou direita. O desemprego é daquelas questões que passar o tempo que passar estará sempre actual na sociedade, pois, de uma maneira geral, o mercado de trabalho nunca encontrará um equilíbrio perfeito, sendo obrigação do estado agir para atenuar as desigualdades geradas por esta situação.
A taxa de desemprego é calculada pela porção de desempregados existentes no total da população activa, sendo que a população activa é um conceito que abrange todos os empregados e desempregados, entre os 15 e os 64 anos, que estão disponíveis para trabalhar, isto é, que não sejam estudantes, reformados, ou que não desistiram do mercado de trabalho. A população desempregada, por sua vez, é constituída por todos os indivíduos que não têm trabalho, a tempo inteiro ou parcial, e que estão activamente à procura de emprego.
Actualmente, a taxa de desemprego provisória atinge os 11,2%, segundo dados do INE, para junho deste ano. Esta taxa é ajustada à sazonalidade, o que quer dizer que não inclui a procura de trabalhadores para dar resposta ao aumento de trabalho associado, por exemplo, à temporada de verão, pois se incluísse esses empregos temporários a taxa seria menor.
Olhando para a taxa, quer seja ajustada ou não, observa-se que esta tem diminuído desde o início do ano, contudo a diminuição da taxa de desempregados pode ser enganadora, na medida em que pode parecer que foram criados mais postos de emprego para absorver a oferta de mão-de-obra. Contudo nem sempre esta é a causa real, uma vez que a taxa desce se o número de pessoas ditas activas diminuírem, isto é, se se reformarem mais cedo, se voltarem a estudar, se simplesmente desistirem de procurar emprego, ou se houver um aumento da emigração.
Os números do desemprego podem estar a baixar desde janeiro deste ano, mas continuam a ser preocupantes, pois apesar de afectarem uma pequena parte da população portuguesa, deixam essa porção numa situação desoladora uma vez, que não só acaba com o poder de compra dessas pessoas, tanto dos bens supérfluos como dos bens essenciais, como também acarreta uma questão psicológica, pois as pessoas sentem-se humilhadas por não terem emprego, sabendo que estão perfeitamente aptas para ingressar no mercado de trabalho, e por terem de depender da ajuda de outros para sobreviver.
Tendo em vista o combate ao desemprego, o governo implementou políticas de emprego, activas e passivas. Estas políticas de emprego têm como objectivo promover a igualdade de oportunidades, ajudando a diminuir as disparidades causadas por situações de desemprego. As políticas activas de emprego visam acelerar a transição de situações de desemprego para emprego, através de mecanismos que melhorem a procura de trabalho, quer através da disponibilização de instrumentos adequados, tais como qualificação e formação, quer através de programas de empregabilidade, tentando dessa forma ajustar o nível de oferta de mão-de-obra com as necessidades das empresas no mercado laboral. As políticas passivas representam todas as medidas que visam garantir um rendimento de substituição aos indivíduos que se encontram numa situação de desemprego, ajudando a manter algum nível de bem-estar e de poder de compra.
Na minha opinião, as políticas de emprego activas são uma ajuda essencial por parte do governo aos desempregados, pois ambas as partes do mercado laboral beneficiam, uma vez que as empresas não têm de pagar salários, subsídios de transporte ou de alimentação, e os indivíduos beneficiam do salário e da experiência que retiram desses estágios, que de outra forma seria mais difícil obter, pois as empresas não estariam dispostas a proporcionar estágios.
Contudo, as políticas de emprego ainda deixam muito a desejar e precisam de ser trabalhadas para colmatar falhas que afectam, principalmente, os trabalhadores.