Ministro da Economia percorreu o Funchal e prometeu linhas de crédito favoráveis

Fotos: Rui Marote

economia-048.jpg.jpeg

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, percorreu esta manhã a zona funchalense de São Pedro, fortemente afectada pelos incêndios, na companhia do secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus. Tudo para tomar o pulso à situação, perceber a verdadeira dimensão do que ocorreu e conversar posteriormente, no hotel do Castanheiro, sobre os mecanismos possíveis para apoiar a reconstrução da Madeira, nomeadamente o tecido empresarial.

economia-042.jpg.jpeg

Eduardo Jesus afirmou que a equipa da Secretaria Regional da Economia tem estado no terreno a contactar com todas as empresas que foram afectadas pelos incêndios que chegaram ao centro do Funchal, para apurar a dimensão das perdas. Porém, alertou que há que ter algum cuidado quando se fala no apuramento destes valores, porque “é uma equação que combina diversas variáveis, e uma delas tem precisamente a ver com as indemnizações que os seguros vão pagar a cada uma dessas entidades”.

economia-046.jpg.jpeg

“Naturalmente que não interessa andar a apontar um valor para ser apoiado através de uma linha de crédito, que é o que estamos a preconizar, sem saber qual o efeito que as seguradoras terão depois neste montante. Interessa-nos, acima de tudo, conhecer bem o problema e poder transmiti-lo e desenhar uma solução”, referiu o governante madeirense. Eduardo Jesus afirmou que apenas uma unidade na área do turismo ficou afectada. Outras tiveram que evacuar os seus hóspedes, mas em 24 horas estavam todos eles realojados. “Mesmo nessa, que infelizmente ardeu, os hóspedes, em menos de 24 horas, estavam já hospedados noutros hotéis de categoria equivalente”, garantiu.

economia-054.jpg.jpeg

Por seu turno, o ministro da Economia declarou que “o mais importante é apoiar, e estar ao lado das pessoas que estiveram nesta situação tão infeliz, e que estão sem casas, com problemas… penso que foi também essa a posição que o primeiro-ministro transmitiu, a de apoiar as pessoas e pôr em primeiro lugar a resolução dos seus problemas. Mas ao mesmo tempo, temos que olhar para as empresas, pois estas são os locais onde as pessoas trabalham e são muito importantes”, referiu.

Salientando que o turismo é essencial na economia da Região, Manuel Caldeira Cabral disse que “o Turismo de Portugal esteve desde a primeira hora aqui presente, a apoiar os turistas, numa hora difícil, e a garantir que fossem adequadamente reencaminhados e que recebessem pessoalmente todo o apoio”.

Por outro lado, esteve o Turismo de Portugal a trabalhar externamente, com os embaixadores e as agências internacionais de notícias, referiu, “para impedir que um incidente que aconteceu marque a imagem da Madeira”.

“Penso que isso se conseguiu”, acrescentou, “mas ainda haverá muito trabalho a fazer, para que a imagem da Madeira, que é muito positiva, de tranquilidade e serenidade, seja reposta”. O governante português disse que houve poucos cancelamentos nas primeiras horas dos fogos, e que agora “já estão a haver novas reservas”.

“Isso é muito importante, porque o que se sabe é que nos ‘media’, quando uma imagem fica com muita força, depois é muito difícil apagá-la”, considerou.

O ministro salientou ainda a “boa resposta” das forças de segurança e dos bombeiros. E relevou ainda a “fantástica” solidariedade dos hoteleiros madeirenses uns com os outros, permitindo tornear da melhor maneira uma situação “má e desagradável”.

Agora, referiu, importa olhar para o futuro e para a reconstrução, para repor a funcionar o mais rapidamente possível quer todo o sector ligado ao turismo, com os vários estabelecimentos que foram afectados pelas consequências dos fogos.

Nessa sequência, Manuel Caldeira Cabral explicou que o seu Ministério está a trabalhar em consonância com o Ministério do Planeamento e com o Governo Regional da Madeira, para criar linhas de crédito que já foram anunciadas pelo primeiro-ministro, António Costa, e que deverão estar prontas em breve.

Algumas delas, disse, são mais rápidas e fáceis de implementar do que outras, que requerem fundos comunitários e têm um processo mais longo.

“O que queremos é implementar um boa solução, que esteja rapidamente no terreno”, salientou.

As linhas de crédito mais rápidas serão as do Turismo de Portugal, mas estas cobrem apenas comércio e turismo.

“Temos de ver se fazemos uma linha mais rápida para este sector, e depois uma linha adicional, ou outro tipo de instrumentos, para apoiar outros sectores, ou se se consegue fazer logo um instrumento integrado… estamos a trabalhar nisso. Estamos a falar de montantes acima da dezena de milhões de certeza e essencialmente de linhas de crédito para os negócios que se possam constituir… mas por exemplo nas linhas que já temos pensadas no Turismo de Portugal, estamos a falar de condições muito favoráveis, em que há um período de carência em que não se pagam juros, em que há um prazo de pagamento que pode ir até aos dez anos, em que há condições de taxas de juro muito favoráveis… São linhas que, sendo de crédito, e tendo de ser reembolsadas, são mesmo assim muito favoráveis, para dar tempo a que estes negócios possam retomar a sua actividade com prazos suficientemente alargados, para terem tempo de retomar a clientela e a actividade, e compensarem a perda de tesouraria que tiveram”.

O que importa, realçou, é tentar manter a actividade económica e os postos de trabalho, e repor a normalidade que é muito importante para o ambiente que se quer criar com os turistas.

Confrontado com a questão da gestão dos fundos que vêm para a Madeira ser, eventualmente, feita tanto pelo Governo Regional como pelas autarquias, como exige o presidente da Câmara Municipal do Funchal, o ministro disse não ter nada a acrescentar sobre isso. “As linhas de crédito do Turismo de Portugal são geridas directamente pelo Turismo de Portugal e são disponibilizadas pela banca. Os instrumentos públicos a criar poderão ter uma gestão coordenada, obviamente, com as autoridades regionais, mas sobre que moldes, não me vou pronunciar, pois não é agora o momento para o fazer”, declarou.

O governante partiu em seguida rumo ao quartel dos Bombeiros Municipais do Funchal, cumprindo já uma visita com o edil funchalense, Paulo Cafôfo, que o levou também ao quartel militar do RG3, onde se encontram ainda pessoas desalojadas. Do programa do ministro constava ainda um reunião com a ACIF.