Crónica Urbana: Dinheiro para entreter o povo

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Foto Amílcar Figueira: fogo ontem na Fonte do Bispo

Rui Marote

Quem dá mais, o Governo da República, a União Europeia, as contas solidárias? Será esta música que ouviremos para entreter o povo até ao Natal.

Sacar é a palavra de ordem, um autêntico leilão a ver quem dá mais. Os incêndios passam a segundo plano a partir de hoje.

António Costa esteve na Madeira em reuniões com o Governo Regional. Depois dos abraços e beijos de Marcelo Rebelo de Sousa, foi a vez de vermos o primeiro-ministro sentado com os seus ministros à volta de uma mesa para ouvir de Albuquerque o tal númerozinho necessário para fazer face a esta tragédia.

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Foto LR

Por se tratar de um substantivo não contável, o vocábulo dinheiro não admite enumeração, e preferencialmente, não deve ser usado no plural. Seis anos passados da tragédia de 20 de Fevereiro de 2010, com as ajudas da República e os dinheiros comunitários, continuamos com os muros das ribeiras por reconstruir. Só agora, com as intervenções nas ribeiras de São João e de Santa Luzia, essa recuperação será concluída. Motivo: Governo Regional de costas voltadas para o município funchalense e vice-versa. Braço de ferro: um culpa o outro da responsabilidade da edificação dos “muros”. As ajudas, entretanto, chegarão… Agora resta saber como utilizá-las. Sou de opinião que deveria ser nomeado um alto comissário para gerir esses fundos. Desculpem, desconfio de toda a gente.

Vou recordar o sismo de Angra do Heroísmo em 1980: o Governo de Pinto Balsemão nomeou então um responsável para os Açores, que acompanhou toda a recuperação de Angra, que é hoje património mundial monumental e um conjunto urbano homogéneo, pelo que em 1983 a UNESCO (o organismo das Nações Unidas para a Educação e Cultura) aceitou integrar o centro histórico de Angra do Heroísmo na sua lista de sítios classificados como Património Mundial da Humanidade.

Isto para não falar de Beirute, Líbano, que bem conheço. Destruída pela guerra, hoje é uma cidade de fazer inveja a muitos países europeus. Soube reunir um conjunto de arquitectos libaneses e mundiais que em conjunto no espaço de 22 anos, realizaram um conjunto que está bem patente aos olhos dos que lá vão. Trata-se simultaneamente de uma cidade histórica e moderna.

Quando se fala de dinheiro a tendência é: com a minha loucura faço o meu dinheiro, com o meu dinheiro faço as minhas loucuras. Não se esqueçam: a honra é mais cara que o dinheiro que é de todos.