
No centro do Funchal, é a euforia. Os adeptos convergem para as artérias centrais vindos de todos os lados, e aglomeram-se, principalmente, na Avenida do Mar, mas por todo o lado se ouvem gritos de “Portugal”, “Somos campeões”, “Portugal Olé, Olé”.
É a saudável loucura da vitória que se faz sentir na urbe funchalense, como certamente em muitas outras cidades do país. E, em dias como hoje, os adeptos somos todos nós. Não só os apreciadores de futebol, mas todos os cidadãos nacionais que, para variar, se sentem um bocadinho no topo do mundo: obrigámos uma potência como a França a sorver o fel da derrota na sua própria casa, e concretizámos um sonho de muitos anos, do qual tínhamos ficado sempre um pouco aquém.

Hoje, cada emigrante português agradecido ao mundo francófono pelas oportunidades que lhe propiciou, mas cansado das piadas secas que sempre conotaram o ‘Portuga’ com o pedreiro, a porteira ou a mulher-a-dias, sente-se orgulhoso não só da honestidade do seu trabalho e do seu esforço mas também do facto de termos provado, afinal, que somos um país como os outros, capaz de coragem na adversidade, de grandes feitos e de sonhar mais alto. Mesmo com Cristiano Ronaldo lesionado, tivemos uma equipa coesa, que se mostrou à altura e que infligiu aos gauleses uma pesada derrota no seu próprio terreno, como Portugal já antes fizera com as equipas adversárias com quem se cruzou no decorrer deste Europeu.

Como dissemos, em todo o Portugal, continental, nas ilhas e nas comunidades, hoje todos têm um bocadinho de orgulho de ser portugueses. O futebol é só isso, o futebol, e a vitória sabe-nos, mas não nos altera as difíceis condições de vida – mas, por um bocado, podemos relaxar e esquecer.

A festa faz-se por todo o mundo, e no nosso cantinho os adeptos exultam. No Parque de Santa Catarina, foi a apoteose com o golo de Éder: a multidão depois desceu à Avenida e à placa central e hoje dá várias vezes a volta ao perímetro urbano, apitando buzinas, fazendo roncar os motores de motos e automóveis, saltando, gritando, abanando bandeiras nacionais, cachecóis, as nossas cores. O calor ajuda à festa, os carros são abanados alegremente pelos jovens que os circundam, os passageiros riem-se, os automóveis seguem apitando. O povo português está feliz, e os turistas estrangeiros olham para a festa e aplaudem. Um dia que será para relembrar, certamente.

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