*Com Rui Marote
A dinâmica da praia do Porto Santo esteve em debate hoje no auditório da Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, com a presença da secretária regional, Susana Prada. No evento, conforme anunciado, participaram vários cientistas. A reportagem elaborada pelo FN sobre a ‘Ilha Dourada’ e os problemas da praia, antes do começo da época estival, esteve em destaque, através de um deles, César Andrade, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que a citou e mostrou fotos da mesma.

Numa intervenção proferida na ocasião, Susana Prada salientou que a praia do Porto Santo “é um dos ex-libris do nosso arquipélago, sendo um incontornável atractivo turístico, relevante para a economia da Região”. A governante referiu que esta é considerada “a melhor praia de dunas do país” e explicou que é neste contexto que interessa debater a sua dinâmica natural, bem como as pressões naturais e antrópicas que enfrenta. Porque “é através do conhecimento desta complexa dinâmica e interacção, entre factores naturais e antrópicos, que poderemos tomar decisões fundamentadas sobre o ordenamento e gestão sustentável do Porto Santo”, sustentou.

A secretária do Ambiente referiu que em Maio deste ano foi iniciado o estudo da sua dinâmica sedimentar, no âmbito da qual será definido um programa de monitorização da costa sul do Porto Santo, o qual permitirá ainda cartografar as zonas ameaçadas pelo mar e definir faixas de salvaguarda do litoral, informação que integrará o Programa para a Orla Costeira do Porto Santo, cuja elaboração foi determinada ontem em Conselho de Governo.

O POC, afirmou, é “um instrumento fundamental para o desenvolvimento sustentável da Ilha Dourada (…)”. Susana Prada mencionou ainda o Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo, actualmente em elaboração, bem como o POTRAM, que será em breve revisto, disse, os quais “vêm demonstrar a grande relevância dada pelo Governo Regional à importância da gestão territorial sustentável do nosso arquipélago”.

Na conferência em questão estiveram em debate diversos pontos de vista. O engenheiro geólogo João Baptista, madeirense, investigador da Universidade de Aveiro e autor de diversos estudos sobre a praia do Porto Santo, foi dos mais críticos, apontando dinheiro mal investido pelo Governo Regional, inclusive em acessos à praia construídos sobre a duna, ao contrário do que seria aconselhável. Apontou também diversas lacunas em infraestruturas básicas de apoio ao banhista, que fazem inclusive com que as pessoas deitem lixo na duna e ali façam as suas necessidades, com todas as consequências que isso traz na proliferação de ratos e outras pragas, falou nas famigeradas “casas da lancha” que, combinadas com outros factores, contribuíram para uma forte pressão de autoria humana sobre a praia porto-santense e abordou outros aspectos que fazem perigar aquele ecossistema.

Na conferência puderam ainda auscultar-se as opiniões, como já dissemos, de César Andrade, que, com Rui Taborda, é investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, de Rui Caldeira, do Observatório Oceânico da Madeira, e de Joaquim Barbosa, também investigador da Universidade de Aveiro.

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