
Miguel Albuquerque e equipa cumprem um ano de governação. No seu estilo curto e direto, o Presidente do GR assume, em entrevista ao FN, que a burocracia tem sido um dos seus principais opositores na sua ação. Mas continua firme e apostado em renovar a Madeira. Gostaria de já ter garantido o ferry nas ligações Continente-Madeira. Mas os sete armadores consultados deram resposta negativa.
Funchal Notícias – Senhor Presidente, este foi o ano mais longo/difícil da sua vida até hoje? Com que espírito comemora este primeiro ano de Governo?
Miguel Albuquerque – Nem por sombras. O comprometimento com a governação e as muitas áreas em que o Governo está a ter iniciativas concretas fez com que este ano tivesse passado a correr! O ritmo esfuma o tempo. Cumprimos este primeiro ano com a confiança que nos caracteriza.
FN – Quais foram os seus principais opositores e coadjuvantes nesta missão?
MA – Existe uma certa burocracia que por vezes retarda o passo acelerado com que temos e queremos agir. A motivação e entusiasmo dos membros do meu Governo para o cumprimento das metas assumidas com a população são o meu melhor aliado.
FN – Sente que o passado Jardinista ainda atrapalha ou condiciona a eficácia do seu governo ou poderá ser uma sombra na sua ação? Lembramos por exemplo as críticas do seu antecessor via facebook sobre vários aspetos do seu governo.
MA – Cada tempo da governação tem as suas próprias circunstâncias. Nós não fugimos a isso. Como está à vista de todos, as críticas, quando construtivas e com fundamento, merecem a nossa melhor atenção. A democracia encerra também um respeito natural pela diferença de opiniões… e ainda bem que assim é.
FN – Ao longo de um ano, saíram do GR Manuel Brito, Carina Bento e Alexandra Gaspar, só para falar nos nomes mais mediáticos. Como comenta estas saídas? Não serão um sinal de fragilidade ao seu executivo?
MA – Não há nada de dramático em se fazerem ajustamentos no Governo. Isso acontece no meu governo como acontece nos outros. Vejam-se as mudanças no Governo da República, com menos tempo de vigência. Sinal de fragilidade é manter pessoas nos lugares a qualquer custo, sem atender à vontade das mesmas e às necessidades governativas.
Encaro com naturalidade estes factos e não ligo muito a eventuais leituras enviesadas. Temos um programa e um compromisso com os cidadãos da Madeira e do Porto Santo e é isso o que nos deve centrar a atenção.
FN – O que gostaria de ter concretizado e continua, teimosamente, a ser adiado e por que razão?
MA – Gostaria de ter concretizado a ligação ferry com o Continente. No entanto, mesmo com as condições que o Governo proporcionou, a verdade é que não obtivemos nenhuma proposta positiva dos sete armadores consultados.

FN – Esperava pela saída de cena do amigo e Primeiro Ministro Passos Coelho? Como tem sido a sua relação com António Costa?
MA – Não esperava uma saída de cena de Pedro Passos Coelho, uma vez que este ganhou as eleições legislativas.
Em relação ao atual primeiro-ministro, conheço-o há muitos anos e a nossa relação sempre foi boa. O facto de ter chamado a si as matérias das autonomias agradou-me.
FN – Acredita que o novo Hospital possa ser financiável pelo Governo da República? Como está neste ponto a negociação com António Costa?

MA – Existe um compromisso expresso do primeiro-ministro nesse sentido.
No início do mandato foi constituído um grupo de trabalho que elaborou um relatório final para a sustentação técnica do Novo Hospital, que esteve em consulta pública.
Concluído este trabalho, com base neste relatório, o Governo Regional decidiu avançar para a construção do novo Hospital tendo criado um grupo de trabalho técnico do novo Hospital para acompanhar o processo de revisão do programa funcional pelo SUCH, a concluir em Maio. Decorrem, neste momento, reuniões de trabalho com os vários diretores dos serviços hospitalares para revisão do programa. Uma vez aprovado o programa funcional, será possível passar a fase de execução do projeto, a concluir até final deste ano. O concurso para execução da obra deverá decorrer em 2017.
Entretanto, até ao final do mês de junho deste ano, será apresentada uma candidatura ao financiamento do Novo Hospital como Projeto de Interesse Comum, de modo a que o Orçamento do Estado para 2017 contemple já uma dotação para esta finalidade. Não temos razões para não acreditar que o Estado irá financiar esta importante obra da Madeira, mas quando conhecermos o Orçamento do Estado para 2017 teremos essa confirmação.

FN – Um ano também de um novo ciclo parlamentar com a ida mensal do Presidente ao Parlamento. Já se arrependeu – face à oposição parlamentar – de enveredar por esta presença mensal? O que mais o tem desiludido nestas idas ao Parlamento?
MA – Isso seria o mesmo que um democrata se arrepender da democracia! Claro que não estou arrependido! Foi um dos meus compromissos eleitorais que de imediato colocamos em prática, demonstrando a nossa disponibilidade para um escrutínio permanente da governação.
É com o maior dos prazeres que tenho ido mensalmente à Assembleia Legislativa da Madeira, debater com todos os partidos as políticas da governação. Penso que tem sido um exercício muito útil para a credibilização do Parlamento e contribuir para uma melhoria da imagem das nossas instituições democráticas, aos olhos dos cidadãos.
Mas gostava de referir que este modo de estar não está apenas na minha ida a um debate mensal com os senhores Deputados. Ao longo deste ano todo o executivo esteve, com grande regularidade, em debates parlamentares e audições em comissão, contribuindo muito para o escrutínio Parlamentar.
FN – Os madeirenses continuam a pedir o ferry para a Madeira. O que se pode dizer de concreto aos madeirenses sobre este assunto ou é um assunto continuamente adiado?
MA – Gostaria de poder dizer que já amanhã teremos a ligação marítima entre a Madeira e o continente. Os que me conhecem sabem como não sou de eufemismos e abordo as questões difíceis com frontalidade. Desde o primeiro mês de governação que este executivo desenvolveu ações concretas neste dossier.
Sem demagogias, com uma estratégia e um propósito final: o de acabar com a aberração que é não termos ligações marítimas com o território nacional! Seria sempre mais fácil “atirar” o problema para o lado de lá do mar e ficar a carpir.
Ao contrário, em seis meses efetuamos contactos com potenciais armadores interessados, o governo apresentou os incentivos que considerou possíveis para estimular o interesse desses operadores e demos uma data para efetuarem propostas. Não conseguimos nesta fase uma resposta positiva.
Como foi nosso compromisso, apresentamos publicamente, em janeiro deste ano, o resultado dos nosso esforços e evoluímos para a etapa seguinte – envolvemos o Governo da República pugnando pelo cumprimento do princípio da continuidade territorial, a que a República tem de atender.
Continuamos a trabalhar na busca de uma solução e vamos consegui-lo até ao fim desta legislatura.

FN – O que espera a Madeira deste Governo Regional no próximo ano de governo? Qual o desafio mais urgente?
MA – Uma vez restaurada a nossa credibilidade junto das instituições e dos mercados, com o cumprimento do PAEF e uma transição segura, a Madeira e o Porto Santo podem esperar um Governo comprometido com cinco questões essenciais:
– a continuação de uma política de transparência – a nossa primeira fonte de credibilidade para sermos respeitados e podermos merecer confiança. Sem isso não conseguiremos financiar-nos para fazer face aos compromissos que temos ao longo dos próximos anos.
– O incentivo à economia e a criação de ambientes favoráveis e atrativos ao investimento – única forma de estimular o crescimento e o emprego
– prosseguir com o nosso compromisso de apoiarmos os mais carenciados e frágeis da nossa sociedade, o que abrange diversas formas, desde desagravamentos fiscais a reforço do rendimento familiar
– aposta na educação e qualificação dos madeirenses, um compromisso que a sociedade tem de assumir também como seu.
– a saúde, com uma aposta inequívoca nos cuidados primários à população, a única forma racional – ao nível dos recursos – e inteligente de fomentar uma vida mais saudável para todos, com melhor qualidade de vida durante mais anos de vida, a par do lançamento daquela que é uma necessidade reconhecida por todos – a de termos um novo hospital. A par desta linha de orientação, o Governo prosseguirá com determinação o Programa de Recuperação de Cirurgias, que desde Dezembro até agora já realizou 327 cirurgias.
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