Antigo secretário atira-se ao Governo de Albuquerque

O debate desta manhã, no Parlamento regional, sobre o estado da Saúde, já abriu feridas no interior PSD-M.

Em comunicado, emitido esta tarde, o anterior secretário regional dos Assuntos Sociais critica a falta de respostas do Executivo de Albuquerque na resolução dos muitos problemas que afetam o sector da Saúde. Francisco Jardim Ramos acusa a falta de estratégia política e a desorganização funcional, “onde os conselhos de administração mandam mais que os secretários e onde falta sobretudo o rumo e o norte político.”

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O “esclarecimento”, que pretende rebater as declarações da bancada social democrata durante o debate parlamentar, é assinado pelo anterior titular da pasta da Saúde, mas foi remetido por André Freitas, atual assessor de Alberto João Jardim.

Segue-se a sua publicação:

“A ilustre deputada Vânia de Jesus terá afirmado hoje em pleno hemiciclo da assembleia legislativa regional que a eufemística “renovação” teria encontrado há cerca de um ano um serviço de saúde caótico, em cujo hospital tudo faltava, desde medicamentos a recursos humanos. Essa afirmação “renovadinha” exige e impõe uma clara e veemente oposição e esclarecimento.

Por um lado pretende escamotear o falhanço completo que a renovação tem constituído no campo da saúde, através da sofismável crítica ao sistema de saúde que vigorou até aí, obnubilando que se tratou do mesmo partido que suportava o Governo de então e cuja memória histórica e luta em prol da população da Madeira devia honrar.

Por outro e por constituir uma clamorosa mentira, impõe se o necessário esclarecimento. Como já se demostrou à saciedade em escrito anterior sobre o “jardinismo” na saúde, nos últimos 10 anos, sem prejuízo das dificuldades que o PAEFF que o governo de má memória de Passos Coelho impôs à Madeira, o que o Jardinismo deixou à Região e a sua população foi um sistema de saúde modelar e amplamente elogiado, quer no país, quer no estrangeiro, conforme o demonstram os indicadores de saúde.
Legado esse que a eufemística renovação não soube respeitar nem honrar, como o demostram as iniludíveis e crescentes insuficiências do sistema regional de saúde.
Com efeito, ao se embarcar nas políticas engendradas por Lisboa, por um tertuliano secretário, elaborou-se um programa de governo que mais não era que um retrocesso na afirmação autonómica do sistema de saúde, um decalque das asneiras neo-liberais nacionais na área da saúde e cujo resultado está à vista. Uma completa ausência de estratégia política e uma total desorganização funcional ditadas por razões meramente economicistas e orçamentais e por uma inversão de valores de organização, onde os conselhos de administração mandam mais que os secretários e onde falta sobretudo o rumo e o norte político.
Neste contexto de completa anomalia, hoje, sim, tudo falta e tem faltado no hospital e se mais não se sabe é porque os cadernos propagandísticos pagos ao grupo Blandy não permitem saber mais. Mas infelizmente a população e os profissionais de saúde sabem-no.
A política faz se com princípios e com concretizações, não com meros ilusionismos na comunicação social e no parlamento. Haja decoro e respeito pela História e saibam fazer mais e melhor que no passado em prol do povo da Madeira e do Porto Santo. Infelizmente não é o que temos visto.”