
Por João Carlos Abreu
O turismo ganha cada vez mais, no mundo de hoje, uma preponderância extraordinária por tudo quanto o envolve, quer como prestação de serviços, pelos reflexos diretos e indiretos que imana, quer ainda como necessidade das populações que correm na vertigem dos progressos que tanto “stress” lhes provocam.
O turismo assenta fundamentalmente no homem. Ele foi o inventor deste fenómeno que, no passado, era um privilégio de poucos, mas que hoje, felizmente, tornou-se num benefício de milhões. São as férias convidativas que surgem estampadas nas revistas, nos ecrãs das televisões, nos programas de rádio, nos flyers que se distribuem junto do público, enfim, uma máquina devidamente apetrechada para atrair os diferentes públicos, para os mais variados destinos.
Independentemente do que foi atrás referido, o turismo é o único setor da vida hodierna que consegue pôr os homens frente a frente a dialogarem, rompendo fronteiras de ordem ideológica, religiosa, de credos e raças; é uma força capaz de aglutinar e juntar povos, aproximando-os e, até, de criar relações de amizade que permanecem para sempre. Recordo que, antes de caírem as fronteiras dos ditos países de leste, já milhares de turistas tinham entrado e estabelecido com muitos dos seus habitantes laços de fraterna amizade. Os visitantes, apesar de todas as restrições impostas, travavam conhecimento com os locais, informavam-nos de como se vivia nos países livres, nas democracias ocidentais. Existia, sob o medo criado pelos sistemas ditatoriais, uma troca de impressões, que lhes dava a realidade dos países europeus: hábitos de vida, liberdade religiosa, acesso aos meios de comunicação e o poder exprimir-se livremente. Com surpresa, eles recebiam estas informações que os turistas lhes davam e, aos poucos, os catequisavam da importância de sermos quem somos, como seres humanos livres e dignificados. Não tenhamos dúvidas de que o turismo muito colaborou para que se abrissem muitas das fronteiras do mundo.
Evidentemente que o mundo vive uma crise assustadora e grande parte das populações não está, sequer, consciente disso: são os recursos naturais que mais escasseiam; são as populações que morrem à fome; é a captura dos peixes que, em menos de 50 anos, passou de 18 milhões de toneladas paras os 100 milhões de toneladas; são os mamíferos marítimos que morrem todos os dias porque as costas marítimas povoaram-se; são os campos desertificados que se transformam em cidades, com torres onde habitam milhares de pessoas; Xangai, em 50 anos, construiu 3.000 torres! Hoje, metade da população do mundo vive nas cidades.
Poder-se-ia pensar que perante este quadro real e o de uma economia débil que se arrasta tão esfarrapadamente, o turismo ressentir-se-ia de forma desencorajadora. Felizmente, tal não sucedeu com a intensidade prevista. Continuam milhões de turistas a se deslocarem em diferentes direções. É certo que os destinos como a Turquia, o Egipto, a Tunísia, a Líbia, estão a sofrer as consequências esperadas com a primavera árabe, as guerras internas – a da Síria – e um terrorismo aterrorizador que mata e, forçosamente, obriga a desviar milhões de turistas que se dirigem, neste momento, a outras localidades. Por exemplo, só a ilha de Grã Canária registou, no mês de Janeiro, a presença de um milhão e duzentos mil turistas.
Tudo isto vem a propósito daquilo que a Madeira e os Açores necessitam de fazer para captar estas correntes turísticas. Urge ações rápidas e empenhadas junto dos principais mercados geradores de turismo, sobretudo daqueles cujos contingentes se dirigiam aos destinos mencionados. Terá que haver não só uma antecipação, como um diálogo constante, de forma a convencer os operadores das vantagens da oferta dos nossos destinos atlânticos. Por outro lado, a oferta tem que corresponder às promessas feitas. É importante coordenar todas as dinâmicas: Governo, hoteleiros, agentes de viagens e outros. Ações conjuntas são sempre positivas. É necessário que se fale a uma só voz. Os serviços devem ser eficientes e a simpatia natural dos técnicos de turismo pessoal da restauração e da hotelaria, enfim, de todos aqueles que lidam com o público.
A nossa missão não é só a de lhes dizer que a troca dos destinos sonhados, a que obrigaram as circunstâncias, valeu a pena, mas também convencê-los a regressarem de novo a estas ilhas atlânticas. A nossa mensagem tem de ser convenientemente elaborada para capacitá-los de que a realidade atlântica ainda tem muito mais para lhes oferecer em segurança, em hospitalidade e em paisagens que se alongam, sempre, para além do nosso olhar que se enriquece com as maravilhas que dispomos.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.






