Era uma vez a Associação de Cidadãos da Madeira…

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Foto Rui Marote

A situação política e social vivida na Madeira durante o jardinismo mobilizou sempre alguns cidadãos mais inquietos com o estilo e a governação de quase 40 anos do então presidente do Governo Regional da Madeira. Várias foram as organizações que se juntaram com o ímpeto de refletir e tentar mudar alguma coisa, mas também é verdade que, por esta ou aquela circunstância, rapidamente se ficaram pelas intenções e deixaram de existir.

É disso exemplo, uma promissora Associação de Cidadãos da Madeira, cuja imagem de uma das suas reuniões o FN hoje divulga, que reunia figuras das mais variadas sensibilidades no sentido de ter uma intervenção cívica ativa nesta Região. Quando se olha para a foto e os seus protagonistas, alguns já falecidos, não é possível deixar de admirar a capacidade de reunir na mesma sala personalidades com percursos de vida tão diferenciados e que, ainda hoje, estão no ativo da política e das suas profissões. A maioria, altamente castigada pelo poder de Alberto João Jardim. Unia-os a consciência crítica, o propósito de virar o jogo, a urgência de criar um futuro melhor – menos endividado – para as gerações vindouras. Mas as quezílias internas e, de certo modo, pessoais fizeram ruir um desígnio coletivo válido.

O tempo demonstrou que esse não era o caminho adequado e, tal como outras, a Associação de Cidadãos da Madeira se desmembrou, como outras, teoricamente necessárias, mas inviáveis na prática. Não era nada fácil conciliar vontades, tempos e registos e, também à pala disso, o jardinismo foi galopando, com insultos muito claros e duros a quase todos os protagonistas da imagem.

Hoje, outros atores ocupam o poder e os associados que a imagem documenta lutam através dos seus partidos ou através da escrita ou ainda se reservaram à discrição do seu lar. O ímpeto de criar associações de cidadania parece ter esmorecido. Será bom sinal?