
“Quando eu for grande” quero ser reformado da vida política, depois de 12 longos, relevantes e estafadíssimos anos de (in)atividade, como os melhores exemplos portugueses de carreirismo político. De preferência aos 41 anos de idade, só para destronar do pódio a ex-presidente da Assembleia da República, aquela senhora muito idosa que se reformou aos 42 anos de idade, conhecida por gritar e correr das galerias do Parlamento com reformados e pensionistas detentores de “insuficientes” 40 e 50 anos de trabalho. Já me imagino, como ela, com o direito, aparentemente divino, a uma choruda (e muito merecida) pensão vitalícia, talvez a aprender o chique do golfe, a investir em arranha-céus no Dubai ou em eternas férias no Resort cabo-verdiano do “exemplar” Dias Loureiro, como diria o seu amigo e admirador Passos Coelho.
Não, não estou a ver a minha exausta pessoa ex-política ficar economicamente dependente de familiares, como alegou o Tribunal Constitucional. Vade retro! Sim, porque não se obriga uma pessoa a “sair da sua zona de conforto” assim à bruta. Com jeitinho, ainda passa pela cabeça de alguns mal-agradecidos mandar os ex-políticos de carreira para a emigração, não?
É, aliás, do conhecimento geral, dando razão à decisão Tribunal Constitucional, que mais de 80% dos sem-abrigo passaram pela vida política, sendo que 40% são arrumadores de carros a viver da moedinha da caridade pública, da generosidade de parentes ou da Santa Casa da Misericórdia, quando calha. Por mim, que ainda sou um jotinha, a conselho dos meus papás, e espero concluir uma licenciatura com tantas ou mais equivalências que o Doutor Miguel Relvas, ou ao fim de semana, como o Engenheiro José Sócrates, recuso-me a pertencer à chamada “peste grisalha”, com perpétuos 40 ou 50 anos de trabalho, obrigado a contribuir com descontos para reformas de miséria e a ter de escolher entre uma refeição ou aviar a receita urgente na farmácia.
Rateios escandalosos a reformas e pensões não serão cá comigo, nem conto passar pelo enxovalho de ser avaliado como lixo pelo Estado, supostamente Social, tal como as agências de rating classificaram o país. Não percebo, portanto, a atitude politicamente indisciplinada de António Bagão Félix, um “perigoso esquerdista” (economista, ex-ministro das Finanças). Infelizmente, este ex-político, de parceria com outro, Jorge Coelho, não tiveram a “dignidade” e a “verticalidade ética” de exigir a reposição das gulosas pensões vitalícias. Já louvável, isso sim, foi a atitude reivindicativa das ditas pensões vitalícias de uma trintena de conhecidos políticos da praça (potencialmente candidatos a futuros carenciados e dependentes da família), nomeadamente Maria de Belém, Carlos Melancia, Armando Vara, entre outros, já a atravessar sérias dificuldades económicas e outras. Afinal é para isso que servem os “cofres cheios” e as fartas reservas de ouro…
Ainda se falássemos em cortar nas “gorduras do Estado”, vá que não vá. Eu próprio estaria na primeira fila da contestação contra esta decisão do Tribunal Constitucional. Agora não contem comigo para cortar, como é o caso, em obras de caridade, como esta, e outras piedosas graças, tal como a compra recente, muito poupadinha, de um tal de jeitosinho faqueiro de 1000 talheres D. João V, alemão, pela módica quantia de 100.000 euros. Uma verdadeira pechincha! Só 100 euros à peça, imagine-se! Nem na Feira da Ladra se encontrava mais baratinho. Já para não falar do carácter de emergência desta medida que o atual governo teve a “feliz” lembrança de tomar, depois de o anterior ter investido austeros 65 000 euros também em faqueiros. Vá-se lá saber o porquê desta fixação em faqueiros… Será algum fétiche político?
Antes de finalizar, permitam-me só mais uma pergunta: Será que o serviço D. João V, o alemão, foi pago com a generosíssima devolução da sobretaxa prometida pela extinta Coligação?
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