Ana Clara Silva, a vice-presidente do Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais (IASaúde), garantiu esta tarde ao Funchal Notícias que, dos cinco casos de infeção por vírus Zika registados em Portugal, nenhum se relaciona com a Madeira.
“Não temos até à data nenhum caso na Região, seja de Zika, dengue ou chicungunya”, confirmou a responsável, fazendo referência às doenças mais prevalentes transmitidas pelo Aedes aegypti, o mosquito que se instalou na Região há cerca de dez anos.
De acordo com Ana Clara Silva, os casos de Zika em Portugal reportam-se a indivíduos residentes no Continente que foram infetados no estrangeiro, concretamente em países da América Latina, onde a doença já tomou contornos de epidemia e está a alarmar a comunidade científica pelos efeitos devastadores que terá nos fetos, nomeadamente malformações.
Madeira com baixo risco de infeção
Ana Clara Silva assegurou que o plano de contingência de combate ao mosquito Aedes aegypti continua ativo, mantendo-se os alertas nacional e internacional e os esquemas de vigilância e controlo da espécie, o que tem permitido manter a Região longe da infeção pelo vírus da dengue. “O último caso de dengue importado reporta-se à semana sete de 2014, e desde 2013 que não temos nenhuma infeção pelo mosquito”, adiantou, referindo que as análises semanais realizadas em espécimes adultos de mosquitos no Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, têm sido negativas para qualquer agente patogénico humano.
Em resultado deste trabalho de vigilância entomológica (controlo de ovos, larvas e inseto), Ana Clara Silva considera que a Madeira regista atualmente “um risco baixo” de infeção transmitida por aquele mosquito. “Quando comparado com 2013, e atendendo à densidade em cada ponto de captura, o risco local é agora três vezes menor”. Algo que deixa a vice-presidente do IASaúde satisfeita, e que no seu entender coloca a Madeira na linha da frente em matéria de protocolos e medidas que vierem a ser adotados internacionalmente no combate ao Zika. “Modéstia à parte, a Região é já referência. Somos nós a dar o exemplo de boas práticas, como reconheceu hoje o diretor geral de Saúde”.
Refira-se que o mosquito é principal vetor de transmissão de vários vírus, estando na origem de doenças como a dengue, o Zika, a febre amarela e o chicungunya.

Conjuntivite na lista dos sintomas
O surto de Zika está a causar apreensão, não propriamente pelos sintomas, mas pelo risco associado a malformações congénitas. De acordo com os últimos dados, o Brasil terá milhares de bebés com microcefalia causada pelo vírus Zika contraído durante a gravidez. Fala-se inclusive numa geração comprometida, situação que terá levado a Organização Mundial de Saúde a convocar esta quinta-feira uma reunião urgente do Comité para as Doenças Emergentes, após o alerta emitido no início de dezembro.
Recorde-se que a picada do mosquito, concretamente o Aedes aegypti, é a principal via de infeção, pelo que as autoridades aconselham as medidas individuais de proteção – o uso de repelente e roupa branca a cobrir o corpo – em zonas geográficas onde existe o mosquito.
Para além da conjuntivite, com vermelhidão acentuada nos olhos, os sintomas causados pelo Zika passam ao fim de três dias e assemelham-se aos da dengue (febre e pintas vermelhas na pele), podendo no entanto ser muito ligeiros ou inexistentes.
Se estes sinais surgirem após uma viagem a um dos países sinalizados (continente sul americano), as autoridades alertam. “Devem dirigir-se imediatamente a uma unidade de saúde, descrever os sintomas e identificar o país onde estiveram. Isso é muito importante. Serão depois notificados para investigação clínica e epidemiológica”, explica Ana Clara Silva.
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