Fotos: Rui Marote

Hoje, 27 de Janeiro de 2015, cumprem-se 71 anos desde que os campos de concentração que faziam parte do complexo de Auschwitz, na Polónia, foram libertados pelo exército soviético. Uma ocasião para não deixar passar em branco, e sobretudo para apresentar uma notável reportagem fotográfica de Rui Marote, colhida ‘in loco’. Imagens que chocam não pela existência de elementos perturbadores, mas sobretudo pela ausência do elemento humano. De facto, o que se torna perturbador, para além da natureza impessoal do campo de Auschwitz-Birkenau, são as pilhas de óculos, de muletas ou de próteses de imensas pessoas que perderam a vida naquele lugar de extermínio, os montes de cabelo cortado, de sapatos que nunca mais usarão… tudo para ser ‘reciclado’ em nome do III Reich. Também não deixam de chocar as imagens de fornos crematórios ou as latas amontoadas de Zyklon-B, o gás utilizado para matar tantos homens, mulheres e crianças nas famigeradas câmaras.

Nestes novos tempos em que outros conflitos abalam o globo, em que se dá um recrudescimento de extremismos, inclusive da extrema-direita no Ocidente, e da intolerância face aos próprios refugiados de guerra, fundada sobretudo em diferenças religiosas e culturais, é da máxima pertinência apresentar estas imagens, que não carecem de grandes explicações. Basta relembrar os enormes crimes contra a humanidade que a ideologia intolerante potenciou, a uma escala nunca dantes vista. Basta recordar, e nunca esquecer, para evitar que este passado feito de acções cruéis e grotescas se repita.

Situado no sul da Polónia, o complexo de Auschwitz agrupava vários campos de concentração, sendo o principal, o campo de Auschwitz-Birkenau, situado no antigo lugar onde antes se situava um bosque de bétulas – ‘Birkenau’ é a tradução alemã de Brzezinka, que tem esse significado – que foi arrasada para a construção do campo.

Auschwitz-Birkenau era o campo de extermínio, cuja função consistia em eliminar rapidamente os judeus, uma vez estabelecida a “necessidade” da sua ‘Solução Final”, acertada numa reunião de altos responsáveis militares em Berlim, de forma incrivelmente burocrática e desapaixonada.

Para ali convergiram, entre 1942 e o final do ano de 1944, comboios e mais comboios com judeus vindos dos quatro cantos da Europa ocupada pelos nazis. Segundo dados confirmados pelo primeiro director do campo, Rudolf Höss, morreram ali nada menos do que dois milhões e quinhentas mil pessoas nas câmaras de gás, além de meio milhão que sucumbiu à fome e à doença.

Ali também se conduziam cruéis experiências médicas.

Hoje, 27 de Janeiro, comemora-se aquele que foi estabelecido pelas Nações Unidas como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.

Auschwitz é hoje um museu, que pode ser visitado pelos interessados. O repórter fotográfico Rui Marote foi um deles, um dos mais de 30 milhões de pessoas que já visitaram o campo, e trouxe-nos estas imagens impiedosas. O local é hoje em dia considerado Património da Humanidade. Para que este grau de horror jamais seja esquecido. Mais palavras para quê? A triste história já é conhecida. Não deixemos que se repita.

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