Borracheiro do Porto da Cruz deixa nome ligado à cultura popular

borracheiros
Foto Rui Marote

O FN presta hoje homenagem a Eduardo Caldeira (1940-2002), a principal figura da Associação Grupo Cultural Flores de Maio (AGCFM) e, através dela, o Grupo de Borracheiros através do qual ficou conhecido esta figura da cultura do Porto da Cruz.

Quem não se lembra de ver desfilar pela cidade, nos grandes eventos turísticos os Borracheiros do Porto da Cruz com o seu grande dinamizador?

Sob o impulso de Eduardo Caldeira, segundo relata o site “aprenderamadeira.net”, nasce em outubro de 1986 a Associação Grupo Cultural Flores de Maio (AGCFM) e, com ela, o Grupo de Borracheiros, a Tuna Flores de Maio e o Grupo de Animação, com destaque para o toque do búzio – som muito querido pelos “heréus”, porque anunciava o seu giro de rega, especialmente durante a noite.

É deste grupo de tocadores que aparece Eduardo Caldeira, o grande impulsionador da dinâmica cultural e musical pela qual a Associação viria a pautar-se, no período que vai de 1970 a 2002.

Espírito combativo e lutador, acreditando no valor cultural do seu projeto, Eduardo Caldeira procurou, junto das instâncias governativas, apoios para o seu grupo de tocadores (jovens e não só), o que não se afigurou tarefa fácil. Através dele, procurou implementar uma dinâmica artístico-cultural no Porto da Cruz, aparecendo em festas e romarias por toda a ilha, especialmente nas solenidades de verão e nas festas locais, tais como a Festa da Senhora de Guadalupe, a do Santíssimo Sacramento, nas visitas domiciliárias do Divino Espírito Santo e Dia da Copa, bem como nas festas de Ano Novo. Divulgava, deste modo, o valor artístico da Associação.

Movido pelo espírito de equipa e desenvolvendo um trabalho voluntário de recolha do património imaterial, revisita a memória e alma do povo “broculho” (forma popular de “borquilho”), alcunha coletiva pela qual são conhecidos os habitantes do Porto da Cruz, e desse levantamento do cancioneiro e romanceiro tradicional vão constar cantigas de trabalho, lengalengas, a cantiga da carga, a cantiga da erva, a canção do nevoeiro, canções das vindimas e, em particular, as canções monocórdicas dos “borracheiros”.

É certo afirmar-se que este Grupo passou a ser a “imagem de marca” do Porto da Cruz, da AGCFM e um dos maiores embaixadores da cultura popular madeirense, tendo representado regularmente a RAM em exposições internacionais.

Em 2002 morre, aos 62 anos, Eduardo Caldeira. Em sua homenagem, pela sua grande dedicação à causa do associativismo cultural, foi erigido um busto no jardim da sede da associação do Porto da Cruz.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.