Recordando Theresienstadt

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FOTOS: Rui Marote

É e será sempre um daqueles nomes que nos suscita um arrepio na espinha por tudo o que significou num passado demasiado recente para ser esquecido: Theresienstadt, como lhe chamavam os alemães, ou Terezin, na língua checa, é uma localidade que carrega em si todo o duro peso da História. A sua sonoridade é sinónimo de holocausto, de perseguição, de extermínio.

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O campo de concentração situado na cidade fortificada de Terezin, onde é actualmente a República Checa, ficou tristemente célebre pelas dezenas de milhares de pessoas que ali pereceram, algumas das quais mortas de imediato, outras morrendo aos poucos, de fome e de doença, dadas as horrendas condições em que eram obrigadas a viver.

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Hoje é um dia para recordá-las e a todas as que não morreram ali, mas passaram pela localidade e ficaram retidas por meses ou anos, antes de serem transferidas para os campos de extermínio de Auschwitz ou Treblinka, na Polónia, e para outros campos.

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O caricato é que Theresienstadt chegou a ser apresentado, perante a Cruz Vermelha, como um campo modelo, onde os judeus viviam “felizes”.

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Porém, apesar da falsa propaganda, a realidade era bem diversa: pelo menos 33 mil pessoas morreram de doença, maus tratos ou fome.

Construída por ordem do imperador austríaco Francisco José entre 1780 e 1790, a fortaleza de Terezin recebeu o nome da mãe do imperador, Maria Theresa da Áustria. No século XX, a localidade fortificada era utilizada como cadeia para presos políticos e militares.

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Gavrilo Princip, o sérvio que assassinou a tiro o arquiduque Francisco Fernando da Áustria e a sua esposa em Serajevo em 1914, acontecimento que deu origem à Primeira Guerra Mundial, esteve ali preso durante a duração do conflito, morrendo de tuberculose em Abril de 1918.

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Com a Segunda Guerra Mundial e a invasão da Checoslováquia pela Alemanha, foi ali criada uma prisão pela polícia política nazista, a Gestapo. Mas a fortaleza principal, essa foi adaptada a 24 de Novembro de 1941, para servir de ghetto aos judeus. Viria a alojar, como já dissemos, dezenas de milhares de pessoas. Era um ponto de passagem para campos de extermínio, mas foi largamente utilizado para fins de propaganda, apesar de todas as crueldades que ali ocorreram.

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A liquidação do ghetto ocorreria no Outono de 1944. Os prisioneiros foram deportados para Auschwitz e outros campos. As estatísticas das mortes são grotescas de contemplar. A objectiva do repórter fotográfico Rui Marote captou, durante uma das suas viagens, o local onde ocorreram. É um lugar sinistro, e as imagens falam por si. Ainda hoje continua a ser visitado por todos os que se interessam por acontecimentos históricos significativos, ainda que desagradáveis. Porque só conhecendo o que se passou, é que a Humanidade poderá evitar que volte a acontecer. Terezin é um monumento contra o esquecimento.

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