Governo quer recuperar caminhos e levadas; aposta no turismo passa pela concertação

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A passagem de Miguel Albuquerque hoje pela Assembleia Regional saldou-se por um diálogo profícuo com os membros da oposição, na medida em que o chefe do Executivo madeirense não evitou responder às muitas questões que lhe foram colocadas sobre assuntos sensíveis dos mais diversos quadrantes, e em que a discussão ou a troca de ideias se pautou pela elevação necessária.

Além do mais, do ponto de vista jornalístico, Albuquerque deixou informações importantes: por exemplo, acentuando que há neste momento cinco operadores que manifestaram interesse na ligação ferry entre a Madeira e o continente. Assegura o presidente do Governo que esta matéria continua a ser uma prioridade. Por outro lado, defendeu-se nos sucessivos atrasos do avião cargueiro, apontado por diversos deputados da oposição, ao garantir que acredita na iniciativa privada nesta matéria, com a qual todos têm a ganhar – menos custos para a Região – e que continua crente em que a operação em breve se iniciará, mau grado os percalços dos adiamentos sucessivos.

Acompanhado do secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, Albuquerque garantiu, por outro lado, ao ser questionado por Ricardo Vieira (CDS) que a Região terá este ano iluminações de Natal com motivos tradicionais e que agradam aos turistas, e sublinhou que o seu Governo dá muita importância ao feedback que recebe dos visitantes,os quais são permanentemente auscultados, para se perceber do que é que efectivamente gostam e não gostam no arquipélago.

Recusou foi continuar a favorecer empresas que, deu a entender, se atrevem a brincar com o Governo: “Isso acabou”, garantiu. Referia-se ao polémico caso da Luzoesfera, que foi afastada por alegadamente não ter cumprido as regras necessárias, inclusive o pagamento de caução, o que a empresa rejeita, já tendo anunciado que vai recorrer à justiça.

Por outro lado, manifestou-se empenhado na recuperação dos caminhos e levadas da Região, bem como na utilização positiva de casas do governo situadas em zonas rurais (como a casa do Pico Ruivo), no que respondia também a interpelações de vários outros membros da oposição parlamentar ao seu partido, e garantiu que procura apostar na melhoria paisagística da Região em locais fulcrais como Santana, cujo centro necessita de ser requalificado, e na orla marítima.

Santana, disse, é um lugar cujo centro necessita ser requalificado cuidadosamente, tendo em vista o número de visitantes que por ali passam, e que têm de encontrar, de facto, uma etnografia autêntica. O património material e imaterial da RAM merece-lhe, garantiu, toda a atenção.

Por outro lado, em assuntos sensíveis como os que rodeiam o Contrato Colectivo de Trabalho para o sector da hotelaria, e perante uma plateia constituída por sindicalistas, explicou que o Governo é apologista de uma plataforma de entendimento entre o patronato e os representantes dos trabalhadores, em que os direitos destes últimos sejam efectivamente salvaguardados. Há mais de seis mil famílias que estão relacionadas com o trabalho na hotelaria, pelo que o Executivo olha para os trabalhadores do sector com todo o respeito, assegurou. Tomadas de posição que, aparentemente, não terão sido suficientes para contentar inteiramente os sindicalistas e os deputados que, no parlamento, deram voz ao que consideram ser uma insuficiente valorização dos trabalhadores numa área tão importante para o turismo da Região, denunciando mesmo situações de chantagem e de “escravidão” sobre o elo mais fraco, por parte do patronato. Os trabalhadores da hotelaria, dizem alguns, não estão a ser beneficiados num momento em que o turismo na Madeira e a ocupação hoteleira atravessam condições particularmente favoráveis. Quintino Costa, do PTP, lamentou mesmo a “situação de pobreza” dos trabalhadores, abordada também por Ricardo Lume (PCP) e Roberto Almada (BE).

Já Jaime Leandro, do PS, questionou o Governo sobre a estratégia para o Porto Santo, ao que Albuquerque respondeu que está a desenvolver esforços no sentido de aproveitar todo o seu potencial para além da praia, encaminhando inclusive turistas nórdicos para o campo de golfe ou para a prática de ténis. Negociou-se com operadores dinamarqueses, mas, no Porto Santo, o aproveitamento deste destino tem que ser cuidadosamente planeado.