Família carenciada vive em casa sem condições em São Gonçalo

A casa tem um telhado de zinco que mete água

FOTOS: Rui Marote

É mais uma história triste, como várias outras de que vamos tendo conhecimento, e nem sequer a pior delas. Mas tal facto não faz com que, na sua individualidade, seja menos lamentável. Uma família reside em São Gonçalo, próximo da zona das Neves, numa casa com telhado de zinco e chão de cimento, sem condições apropriadas para enfrentar as intempéries características do Inverno que se aproxima. São cinco pessoas a residir na casa, duas das quais menores: Persea Andreia Santos Sousa, as duas filhas Flávia (22 anos) e Joana (20 anos), o filho Francisco, de 14 anos mas que infelizmente já sofreu um AVC, e a neta Safira (2 anos), filha de Joana.

Flávia é a única que está empregada: tem um trabalho sazonal para o Grupo Pestana, no Porto Santo. Mas “no dia 30 já vem para cá. Só tem trabalho na altura do Verão”. Joana está a tirar um curso profissionalizante por conta da Sociohabita, mas não sabe se depois conseguirá arranjar trabalho ou não.

A casa é uma construção clandestina, que não está, portanto devidamente legalizada. Devido a essa circunstância, afirma Persea Sousa, a Junta de Freguesia local diz que não pode ajudar com materiais para recuperar a residencia. Até porque parte da casa situa-se no terreno de outra pessoa, que quer reclamá-lo, sendo portanto a habitação destinada à demolição.

Quem mais sofre são sempre as crianças

A nossa interlocutora diz que está inscrita no Instituto de Habitação desde 2004 e, desde 2008, na empresa municipal Sociohabita. Mas até agora não têm havido soluções, em termos de habitação social. Disseram para “aguardar, pois no momento não têm casas”.

O que é certo é que, com as chuvas recentes, deram-se severas infiltrações na casa de banho, que ficou alagada, e no quarto onde dorme a criança de dois anos. Persea olha com preocupação para o Inverno que se aproxima.

A casa é fornecida de água e luz a partir de ligações clandestinas com a casa da mãe de Persea, que mora ao lado. Mas, para piorar a situação, diz-nos Persea, houve um desentendimento com o cunhado por causa de uma conta de electricidade “muito alta” e o mesmo resolveu cortar o fornecimento de luz, enquanto Persea não pagar uma determinada quantia exigida, Esta argumenta não poder pagar, por não ter trabalho. Agora a família vive à luz de velas. A água também lhes chega por via da casa da mãe de Persea.

Vivem dos abonos dos miúdos, da pensão da filha (a mãe da sua neta) e do seu filho. Persea diz que tinha “um trabalhinho, do qual não estava a descontar para a Segurança Social”. “Fazia algumas horas”, refere. Mas agora perdeu o trabalho, e por isso foi solicitar o Rendimento Mínimo à Segurança Social. Aguarda resposta. “Não tem marido”, e o mesmo se passa com a sua filha Joana.

Entretanto, os dias, os meses e os anos vão passando, e esta família não vai vendo grandes perspectivas de melhoria. Engrossam o número dos desempregados e dos que vivem com dificuldades. Quem mais sofre são sempre as crianças.