Ricardo Franco conta ao FN que viveu “uma situação surreal”a bordo do “Mal-Amanhado”

O "Mal amanhado", o terceiro a conta da esquerda, ontem à tarde, no Caniçal, no grupo dos barcos registados em Ponta Delgada.
O barco da polémica, “Mal-Amanhado”. Foto Helena Mota

Com os ânimos mais serenos mas ainda com alguma perplexidade e indignação, o presidente da Câmara Municipal de Machico reafirma ao FN o incidente de sábado: os armadores da embarcação “Mal-Amanhado” pediram a Ricardo Franco para que Paulo Cafôfo saísse porque lá estava o presidente do Governo Regional.

Como foi noticiado, durante a festa de Nossa Senhora da Piedade, no Caniçal, e na viagem tradicional de transporte marítimo da Santa à Capela, pela embarcação “Mal-Amanhado”, seguiu-se um incidente no mínimo insólito:o presidente da Câmara Municipal do Funchal, um dos convidados a bordo, teve que mudar de barco porque não era figura desejada a bordo, alegadamente por parte de Miguel Albuquerque.

Ricardo Franco conta ao FN que foi convidado pelos armadores a efetuar a viagem e, nesse sentido, convidou também vários amigos, um dos quais o presidente da CMF, Paulo Cafôfo. Os armadores tinham prévio conhecimento destes convidados e anuíram nesses convites. Antes das 15 horas do passado sábado , os amigos davam entrada no “Mal-Amanhado”, naquela que era uma estreia do culto a Nossa Senhora da Piedade por parte de Paulo Cafôfo e família.

RICARDO FRANCO
Foto netmadeira.com

Cerca de 20 minutos depois, um dos armadores chamou o presidente da CMM a um recanto para dizer-lhe que Cafôfo não poderia ir na mesma embarcação que Miguel Albuquerque. “Fiquei surpreendido e nem queria acreditar. Tratava-se de uma situação surreal!” Ainda assim, o armador sossegou o autarca dizendo-lhe que “era só o presidente Cafôfo que tinha de sair” e que Ricardo Franco, vereadores e demais amigos “poderiam continuar a bordo”.

“Se ele sai, eu também saio!”, relata Ricardo Franco ao FN aquela que foi a sua resposta ao armador. E assim aconteceu. Mudaram de embarcação, ante a surpresa dos demais convidados que os viram, de súbito sair. “Pensei: esta situação não pode ficar impune e decidi contactar a comunicação social”, assume Ricardo Franco.

O autarca de Machico notou que o armador poderia eventualmente “estar a sofrer pressões” para que Cafôfo não continuasse no barco. Ainda assim, dá o benefício da dúvida: “Não sei se alguém quis ser “mais papista que o papa” ou se o presidente do Governo Regional terá solicitado essa saída. Mas é tudo um absurdo”.

Ricardo Franco revela que, “mais tarde, os armadores do barco, Diamantino e Ilído, lhe pediram desculpas pelo incidente que teve uma amplitude inesperada. “Continuei a reprovar a situação. Respeito muito o Caniçal, os armadores em questão, mas isto ficou muito mal. Imagine a minha posição, porque fui eu quem convidou o presidente Cafôfo, ainda para mais na presença dos filhos. Era a primeira vez que ele assistia a todo este ritual de levar Nossa Senhora da Piedade de barco à sua capela. Fiquei mal perante Paulo Cafôfo”.

O FN tentou também auscultar a posição dos armadores mas não obteve resposta. No entanto, fomos informados de que terão negado qualquer pedido de saída de Cafôfo do barco.

Da parte da presidência do Governo Regional chegou o comunicado já divulgado: Miguel Albuquerque é alheio a qualquer incidente e desmente que tenha pedido, direta ou indiretamente, a saída de Cafôfo.