484,91 euros é o preço para viajar da Madeira para Lisboa neste mês

Fatura da Tap de 01 de Setembro enviada a redação do Funchal Notícias
Fatura da Tap de 01 de Setembro enviada a redação do Funchal Notícias

*Com Lília Castanha

Que mal fizemos nós, ilhéus, para carregarmos esta cruz da mobilidade, por mar naufragamos, por ar somos escaldados.

Hoje recebemos na nossa redacção uma voz indignada em relação ao subsídio à mobilidade. Um nosso conterrâneo tem que se deslocar duas vezes neste mês de Setembro a Lisboa, por motivos de formação profissional, e adquiriu a primeira passagem no dia 1 de Setembro. Qual foi o seu espanto e revolta quando viu o preço: 484,91 euros. Isto quer dizer que neste mês terá que avançar com mais de 900 euros, quase dois ordenados mínimos, e esperar sessenta dias para ter o reembolso. Mas porquê não podemos receber o reembolso logo a seguir em vez de ter que esperar  por sessenta dias, questionou-nos o leitor em questão, ou então o passageiro pagava os 86 euros e a companhia esperava os sessenta dias para receber o remanescente do Governo. Porquê? Ainda mais que nesta fatura, o preço ultrapassa os 400 euros, tendo o passageiro que pagar os 86 euros mais os 84,91.

Este madeirense precisa de se deslocar ao Continente por motivos profissionais, mas há outros que precisam de cuidados de saúde, que na Madeira são inexistentes, ou então precisariam de esperar numa lista para adquiri-los, quando o seu estado requer urgência. Adoecer é um luxo para o ordenado médio português, sai caro, agora mais caro ainda com estes preços das passagens. E também não se percebe a razão de uma viagem de uma hora e trinta minutos até Lisboa custar frequentemente mais caro do que viagens de três horas para outras cidades europeias. E dizem para marcarmos com antecedência, qual é a diferença? Nem sempre isso é possível, nem sempre podemos prever que vamos precisar de viajar.

Estudar numa universidade no Continente também vai sair mais dispendioso aos pais se estes preços continuarem nesta faísca. Além de que, alguns pais sentem necessidade de ir ao Continente apoiar e orientar os seus filhos sempre que se justifique, mas estes preços torna isso mais difícil, senão impossível. Afinal, este subsídio de insularidade vem ajudar quem?

E será que para sair da ilha precisamos da justificação de estarmos doentes, de irmos estudar ou viajar em trabalho? Será que não temos direito, como pessoas e ilhéus, de alargar os nossos horizontes, de ver e fazer coisas diferentes, de andar num comboio, metro, de eléctrico, etc. O dinheiro não é tudo dizem muitos, mas sem ele somos prisioneiros na ilha.


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