Grécia – do grito à realidade

Paulo Pita da Silva

Este texto surge num dia em que renovo a minha escrita, num órgão como é o nosso Funchal Notícias, FN, e resulta da minha paixão em colocar nestas linhas coisas que me vai na alma e na cabeça, fraquinha já sabemos.

Parte deste texto, já foi publicado no meu mural da rede global, aquando da demissão do Primeiro-Ministro Grego, coisa que já tinha antecipado num texto aqui também publicado intitulado “Poder e Contrapoder”, consubstanciando este mesmo numa reflexão mais maturada.

Como ponto prévio, tenho de salientar que não entendo nada de política, aliás poucos deverão entende-la, porém vejo inúmeros que se intitulam políticos, mas isso seriam outras músicas. Certo é, também o direito que todos temos de opinar e/ou emitir opinião sem que isso seja delito de qualquer forma.

Mas retornando ao foco, a Grécia que vai de novo a eleições. Porque será?

Eu arrisco elencar uma série de razões que não são de todo verdades imutáveis nem tão pouco certezas absolutas:

1) Ser Poder é diferente de ser Contrapoder, e isso hoje é ainda mais atual;

2) Gritar de nada vale, principalmente quando está em causa o próprio povo e a sua sobrevivência;

3) Ao que parece os países do norte da Europa continuam a tratar mal os países do sul da Europa;

4) Criticar sem dar soluções de nada serve, pois Governar não é ser do contra, mas sim ser defensor dos seus ideais, apresentando soluções equilibradas e acima de tudo exequíveis;

5) Quem quer governar tem de ter um rumo, uma estratégia para todos, a certeza de um processo lógico pensando no bem comum, e atendendo a todas as realidades;

6) A política não pode ser uma alavanca pessoal mas sim Um Ato de Fraternidade;

7) Durão Barroso, a seis meses da sua governação como Primeiro-Ministro, disse algo que até hoje foi único, num discurso perante a Câmara da Democracia: “[…]Deixemos de falar dos nossos antecessores, falemos no presente e de que forma nos preocupamos e que soluções apresentamos[…]”, referindo-se aos governos que o tinham antecedido, gostemos ou não, tendo saído ou não antes de tempo, é irrelevante, pois o que interessa é a mensagem;

8) Desejo que numa década se consiga governar num equilíbrio entre Política Social e Economia Estável, uma vez que atualmente não é isso que acontece.

Sei ser sonhador, talvez utópico, mas garanto a todos que se pensássemos mais, com certeza teríamos melhores governantes, melhores políticos e mais Justiça Social.

Falando de política, aqui nós também em breve seremos chamados a votação. Uns dizem que se vota para o Primeiro-Ministro, outros dizem que se votam em deputados, outros nos “vilões” de sempre. Eu votarei nos deputados que irão representar-me, o problema são os estatutos partidários a que os mesmos estão sujeitos, que muitas das vezes lhes retiram a serventia, ou seja, retiram da sua ação o seu maior dever: os interesses intransigentes de quem os elege.

Isto só mudará aquando da elaboração do estatuto do deputado, e quando houver responsabilidade do eleito para com os eleitores, de forma a que os partidos pelos seus representantes, sejam também estes mais próximo dos cidadãos e do interesse comum.

Nesta altura, são reuniões à esquerda, à direita, ao centro, na escada, à porta de associações, IPSS, entidades públicas, entidades privadas, com uma mão cheia de nada, uma vez que o discurso, é sempre e sem mudar “… tentaremos fazer…”, “… é nosso objetivo…”, ou seja, intenções. Basta de intenções, ou mudam os partidos e mudam a forma de fazer política (as caras mudam o conteúdo nem sempre), ou mudará a sociedade.

Espero que o berço da civilização, a nossa Grécia, saiba sair deste rumo, e encontrar uma solução para si e para toda a Europa, e espero que quem pensa ou sequer se importa consigo e com os outros vote em consciência, e de Pensamento Livre.

 

“O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”. Platão c.428 – 347 A.C.

Disse.