A antiga sala de aula deixou de ter carteiras, crianças e professores. Em seu lugar germinaram as plantas como que a ensinar que quando o Homem não cuida, a natureza toma conta.
A imagem não foi captada muito longe. Retrata a única sala de aula de uma escola pequenina perdida nos montes do Porto da Cruz, onde as casas fechadas e devolutas já são tantas quantas as pessoas que ainda lá vivem. Gente idosa que vai resistindo em zonas cada vez mais desertificadas, numa relação que se divide entre o peso do isolamento e o romantismo da tranquilidade.
Foi nesta sala singela que várias gerações aprenderam a ler e a contar, a crescer e a conhecer o mundo para além da montanha da Penha de Águia. Haverá com certeza quem tenha “estórias” para contar à volta deste espaço, matizadas de alegrias e tristezas, de conquistas e fracassos. Memórias que parecem não ter importância junto de quem tem responsabilidades na preservação do património, seja ele edificado ou imaterial. Faltou a esta escola, reduto do saber e da socialização, um aluno famoso, na certa. Está longe das novas modas, faz parte da “Madeira velha”, nada tem a seu favor para que ganhe vida.
Mas a pergunta impõe-se. Quem sabe se a antiga escola, de cara renovada e aberta à inovação, não poderia dar um impulso à revitalização social e económica da localidade? Esperamos que a reflexão aconteça em prol do bem estar das populações.
Por enquanto, de uma forma pungente e sábia, o pequeno arbusto em frente ao quadro de ardósia reflete em grande parte o sentimento geral relativamente à situação da educação e do património longe dos grandes centros, no nosso país. Ao primeiro olhar, apetece dizer que foram mesmo mandados às urtigas!
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