Acabemos com esta política de desastre

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A poucas semanas das eleições legislativas, o Presidente da República, o Governo PSD/CDS, e os seus numerosos cúmplices na comunicação social, fervem e agitam-se em descarados golpes de rins, tretas e outras manobras contorcionistas, para fazer crer que não há alternativa para as suas «inevitáveis» políticas, afirmando ainda que a depressão está debelada, a taxa do desemprego começa a baixar e que o pior já passou; quando o certo e insofismável é que os últimos números extraídos do próprio Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam precisamente o contrário.

Na verdade, desde 2011, e num ritmo alucinante, a indústria, a construção civil, a agricultura e as pescas, ou seja os sectores básicos da economia portuguesa, desbarataram e destruíram mais de 325.000 postos de trabalho.

Acresce que em termos sociais, a situação é ainda mais catastrófica para as franjas desprotegidas da sociedade, nomeadamente cerca de 650.000 portugueses com reduzidas habilitações literárias, que perderam os seus postos de trabalho, numa clamoroso cadência de 150.000 por ano, que devido às suas fragilidades dificilmente encontrarão novos empregos.

A estes dramáticos números, juntam-se os 243.000 portugueses que vivem a dolorosa situação de subemprego e de trabalho a tempo parcial, ou seja 40.000 mais do que aqueles que já estavam nessa situação antes da subida ao poder do bando de malfeitores do desgoverno de Passos Coelho.

Acumula a esta calamitosa situação, mais de dois milhões de portugueses que em consequência da brutal e desumana política de austeridade compulsiva imposta pelo governo da direita neoliberal, vegetam com risco de pobreza e miséria.

Certo que entre o primeiro e segundo trimestre deste ano a taxa de desemprego segundo os nem sempre fiáveis dados do INE desceu 1,8%, o que parece ser uma esperançosa mudança. Simplesmente, é do conhecimento geral que em todos os anos, entre Abril e Junho, regista-se a criação de empregos temporários por efeito do turismo de Verão, e como tal é fatal e muito fácil que os números do segundo trimestre deturpem a realidade do desemprego. Como exemplo que assim é, lembramos que no Algarve a taxa de desemprego passou, temporariamente, de 16,4% para 10,8%, ou seja uma espetacular descida momentânea de 5,6%, que em maior ou menor grau também se verifica em Lisboa, no Porto, na Madeira e noutras regiões do País.

E a este enganador resultado do emprego temporário de Verão, ainda se congrega as centenas de milhar de vítimas da emigração forçada, sobretudo jovens licenciados, e ainda as dezenas de milhar de «desencorajados», ou seja de vencidos da vida que já desistiram de ocorrer aos serviços do emprego.

Como tal, só não vê quem é cego, ou quem não quer ver, que a nefasta ação da política económica do Governo PSD/CDS, a sua covarde e antipatriótica submissão ao euro, aos ditames da União Europeia, aos grupos do grande capital financeiro e às demais instituições supranacionais; o seu criminoso processo de juntar mais austeridade à austeridade; os saques aos funcionários públicos, aos trabalhadores, aos reformados e pensionistas; e as ruinosas privatizações de empresas estratégicas que liquidam o sector produtivo e estiolam a economia; mais não são do que a execução dum deliberado objetivo de empobrecer o País, Infernando e sacrificando a esmagadora maioria dos cidadãos, em benefício da engorda de meia dúzia.

Espelhando esse resultado das políticas de exploração e de fomento das desigualdades, a revista «Forbes» contabilizou neste ano, 1.645 multimilionários portugueses, ou seja mais 268 tubarões do que aqueles que existiam em 2013; enquanto, por outro lado, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que continua a aumentar as abissais e desnaturadas diferenças de rendimento entre os 10% de cidadãos mais ricos e os 10% mais pobres que engrossam os dois milhões de portugueses que vegetam com risco de pobreza e muita miséria.

Como já temos escrito nestas páginas, além de completamente possível, é urgente dizer basta e construir uma verdadeira alternativa, que rompa, definitivamente, com estas políticas de opressão, austeridade, dependência e empobrecimento, que sufocam o País e os portugueses.

Mais do que os habituais rodriguinhos e o jogo das meras alternâncias políticas, que nos últimos decénios empurraram Portugal para o abismo, é urgente e realizável levar avante uma autêntica e verdadeira rutura progressista, humanista, patriótica e de esquerda, que abra novos caminhos de unidade, desenvolvimento e justiça social, e que assuma a intransigente defesa dos interesses da esmagadora maioria dos portugueses.

Nessa perspetiva, com a realização a curto prazo das eleições Legislativas, surge uma nova possibilidade de correr com este bando de malfeitores, e criar uma real alternativa de governo patriótico, e humanista, que devolva a Portugal e ao seu povo a dignidade perdida e os valores e conquistas da Constituição de Abril.