Depois de ver abrasar 113 milhões de euros, a faraónica Marina do Lugar de Baixo passou a Lugar de Baixo e como sempre no país do “Não fui eu.” não há responsáveis políticos.
De mais a mais, como é hábito em política de “faz-de-conta”, a culpa é para atirar para trás das costas, preferencialmente para Tristão Vaz Teixeira ou João Gonçalves Zarco.
Recorde-se que, à semelhança do BES, o “catamolho” estava “sólido”, como é de presumir que mais sólidas terão ficado as contas bancárias de quem beneficiou, direta ou indiretamente, com o caprichoso “investimento”.
É verdade que, se calhar, faltou o “Eu avisei!” de Cavaco Silva.
Porém, também não é menos verdade que não faltaram os alertas de muita gente conhecedora, previdente e de bom-senso, para as desastrosas consequências e sua inevitabilidade. Na altura, invariavelmente, ou eram “Velhos do Restelo”, ou tidos por ignorantes. Os nossos governantes, como defensores do interesse público e rigorosos gestores do erário, contudo, sabem sempre o que é melhor para nós… e para eles.
Enfim, bastava “um palmo de testa” ou de zelo pelo bem comum para saber-se que não eram necessários caríssimos estudos ou formação superior em Engenharia para perceber que aquilo que se tira ao mar, mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente, o mar vem reclamar, como se confirmou em toda a linha.
Pelo contrário, convenientemente obliteraram-se os contras e sobrepesaram-se os prós, quem sabe se para “ganhar algum” e dar a “ganhar algum”… Dando “para o torto”, por via de uma espécie de instalada tradição, paga o Zé, joga-se ao “passa-culpas” e lavam-se as mãos, na certeza de que a imunidade, a impunidade e o tempo se encarregarão de apagar memórias e responsabilidades.
Lá está que para alguns, infelizmente muitos, o que importa para enganar tolos com bolos é deixar obra feita, mesmo que mal ou pessimamente feita. Não faz diferença. No fundo, o que interessa é obrar!
Certo, certo (depois de tantos milhões atirados ao mar e de muito escorregadio milhão, sabe Deus em que bolsos, com a responsabilidade, mais uma vez, a recair sobre Tristão Vaz ou Gonçalves Zarco e a “continha” na mesa do Zé) é que a Marina do Lugar de Baixo tem muito “mais encanto na hora da despedida”.
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