Madeirenses mantêm agosto em maré cheia no Porto Santo

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Por estes dias, a Madeira muda-se em peso para o Porto Santo naquela que é a tradicional temporada de veraneio. Depois de meses a fio com turistas a conta gotas, a Ilha Dourada, destino predileto dos madeirenses nas férias grandes, volta a encher-se de gente para mais um agosto de chinelo no pé e ar bronzeado. Os cafés, os supermercados, as lojas e as ruas da Vila Baleira vibram de energia estival. É o regresso ao Porto Santo das memórias de verão, que se reinventa ao sabor de novas tendências.

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Agosto é tradicionalmente o mês dos madeirenses que procuram sol, mar e muita diversão. A população residente, a rondar os 5 mil habitantes, quase que triplica nesta altura do ano, assim como os automóveis em circulação. Durante um mês, a pequena ilha perde a pacatez habitual e prospera, mesmo que temporariamente, graças ao estatuto de estância balnear, o que dá para esmorecer as mazelas provocadas pela sazonalidade.

Curiosamente, o que desagrada nas restantes cidades, aqui, parece não incomodar. À noite, há filas nas “lambecas” e, durante o dia, as horas de ponta sentem-se nos supermercados e no trânsito da cidade que, aliás, mantém a designação de Vila. Mas ninguém parece importar-se com estas idiossincrasias da ilha que, passando grande parte do ano quase vazia, estranha por vezes a enchente repentina de veraneantes.

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Ao contrário dos rigores do inverno, os hotéis registam agora ocupações perto do limite e os negócios que conseguem resistir às contingências da dupla insularidade ensaiam melhores receitas. O Lobo Marinho, o ferry que liga a Madeira ao Porto Santo, aumenta a frequência das ligações para responder à procura. Famílias, grupos de jovens e turistas desembarcam diariamente às centenas, e é ver o cortejo de automóveis, à hora da chegada do barco, a atravessar o centro. Vêm carregados de bagagem, bicicletas, pranchas de surf e de caras sorridentes à visão do areal e do mar que nele se enrola.

Nos locais e às horas do ritual do pão ou do café, voltam a encontrar-se as caras conhecidas do Funchal. Um pouco por toda a parte, cruzam-se amigos, políticos, figuras públicas e ilustres desconhecidos. Muitos madeirenses têm já no Porto Santo a sua segunda casa, o que faz do destino um ponto de encontro de muitas famílias.

Porto Santo

O ambiente descontraído e a brisa seca que fustiga o palmeiral convidam a uma paragem mais demorada pelas esplanadas à hora em que o sol morde a pele. Atualizam-se as notícias, reveem-se conhecidos e combinam-se programas para logo à noite. A tarde vai ainda a meio e há tempo para mais um mergulho, nas águas verdes e quentes do Atlântico.

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Ao pôr do sol, os bares da moda rivalizam nos eventos musicais e as noitadas repetem-se, convidando à folia e a excessos à mistura.

Este fim de semana, a pequena ilha vai mesmo estar a bombar do mar à serra. Enquanto na encosta do monte se cumpre a tradição em honra de Nossa Senhora da Graça, na praia acontece a “maior festa de sempre”, a acreditar nos cartazes e nos preparativos.

De hoje até sábado, o Bar do Henrique será o anfitrião de uma mega “Beach Party” para maiores de 18 anos. A partir das onze, o local privilegiado sobre as dunas promete música, animação e bebida de fartura, madrugada fora, durante os três dias. São mais de 15 postos de venda de “imperial” e à cabeça de cartaz estarão artistas de renome. Diz quem sabe que a “socialite” madeirense far-se-á desfilar no evento com a assinatura do Café Teatro, garantida que está a presença de canais de televisão nacional.

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Longe vão os tempos do pub “Corsário” e das discotecas “Big Boy” e “Challenger”, animadas pelos êxitos dos anos 80.  O Penedo do Sono, antigo espaço noturno de pubs e discotecas, à entrada do porto, continua porém adormecido, mesmo numa altura do ano em que a procura pelo entertenimento aumenta. Pelo contrário, o negócio das motos e dos carros elétricos de aluguer, dos passeios de jipe e de barco, atrai novos nichos de mercado. O sector empresarial reinventa-se.

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Mas o verdadeiro coração do Porto Santo continua a ser a praia. Os 9 quilómetros de areia fina e dourada, conhecida pelas suas propriedades terapêuticas, operam a magia das férias de verão. Logo pela manhã, à chegada dos banhistas, as gaivotas abandonam o areal. São geralmente os mais velhos e as famílias com filhos pequenos quem começa por ocupar as sombras de folha de palmeira nas imediações dos passadiços de madeira, às primeiras horas de sol.

A seguir ao almoço, a praia é já um mar de gente, pontuada de chapéus de sol, e fervilha de movimento. Os mais novos desafiam o rebentar das ondas, enquanto os adultos aproveitam a extensa faixa amarela para caminhadas de pé na areia.

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E quando a tarde vai a cair, já cansada de maresia e sal, eis que a buzina do “Zé das bolas” desperta a gulodice. O empresário do carrinho das “bolas de Berlim” não tem mãos a medir para satisfazer os pedidos. Bastam € 1,30 e pode provar-se que “pecar é bom”, o lema com o qual Zé Carlos parece convencer à tentação por onde vai passando. O alfacinha, que há cinco anos estreou a venda de bolos no areal portossantense, está feliz com este doce agosto. Mas acaba rápido e sabe a pouco, assim que os veraneantes se vão embora.

São dias de puro relaxamento e de regresso à essência do verão. A estação estival vai novamente a banhos no areal portossantense para deleite de miúdos e graúdos. Quanto à economia local, é o lugar ao sol que teima em faltar nos restantes meses do ano.