Avelino Farinha interessado na Rádio Jornal da Madeira

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Há vários interessados na compra da Rádio Jornal da Madeira (RJM), mas tudo indica que José Avelino Farinha, o empresário da construção civil da zona oeste, estará na linha da frente para concretizar o negócio. Segundo apurámos, o alvará detido pela empresa Jornal da Madeira para o exercício de atividade de rádio está a despertar o apetite de vários players, inclusive do homem forte da AFA.

O empresário detém as rádios Calheta e Santana, pelo que a aquisição da frequência RJM seria “ouro sobre azul”, na medida em que garantiria a cobertura total da ilha por parte do Grupo AFA. Avelino Farinha já reuniu com Sérgio Marques, o secretário regional responsável pelo dossiê relativo ao Jornal da Madeira.

Com efeito, o processo de reestruturação da empresa, posto em curso pelo atual Governo Regional, está a começar a fazer mexer o sector empresarial. O Funchal Notícias apurou que tem havido contactos exploratórios entre interessados e a tutela que poderão evoluir no sentido da privatização do matutino e da rádio. As anunciadas perspetivas de redução de pessoal e a extinção de alguns sectores parecem estar a captar a atenção de potenciais investidores que encontram na redução dos custos de funcionamento um fator de atratividade.

A Rádio Jornal da Madeira, pelo potencial de negócio que encerra, é o principal alvo na mira dos investidores que seguem de perto o evoluir da situação na empresa. Dos oito funcionários da RJM, quatro já terão assinado a rescisão de contrato. Além disso, o alvará de rádio local constituiu um valor acrescentado ao produto.

A empresa Jornal da Madeira atravessa um período de reestruturação devido aos problemas de sustentabilidade financeira que se foram agravando nos últimos anos. No âmbito deste processo, uma das saídas preconizadas pela tutela é o corte no pessoal, a fim de torná-la mais atrativa aos olhos do mercado. A administração iniciou em meados do mês passado contactos com todos os trabalhadores do Jornal e da Rádio JM no sentido de viabilizar a rescisão amigável dos contratos de trabalho. A secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus espera libertar os quadros da empresa, por via do acordo, em cerca de duas dezenas de trabalhadores. No entanto, a idade média dos ativos, na casa dos 40-50 anos, e a conjuntura de desemprego, não estão facilitar a rescisão voluntária.

Não foi possível apurar quantos funcionários terão, até ao momento, aceitado a proposta da empresa para a sua desvinculação. Contactado o conselho de gerência do JM, foi-nos dito que o processo de negociação está em curso e que os resultados serão conhecidos assim que ficar concluído. Sem querer avançar com datas definitivas, Paulo Vieira adiantou que, dado o melindre e a delicadeza de uma decisão desta natureza, está a ser dado tempo aos funcionários para refletirem. “Ninguém está com uma espada sobre a cabeça nem há pressões”, sublinhou o presidente não executivo.

Ao contrário do otimismo revelado pela administração, o ambiente que se vive na empresa é de incerteza. Após uma primeira fase de dispensa de funcionários, há cerca de quatro anos, a gerência volta a negociar com os 55 trabalhadores de todas as secções a rescisão de contrato por mútuo acordo. Um processo que, caso não cumpra os objetivos do atual Governo Regional, que detém o jornal quase na totalidade, poderá agora ter como desfecho o despedimento coletivo.

Sabe-se que, nos casos de maior interesse na rescisão, a gerência avançou com uma majoração de 10 por cento a juntar à indemnização legal (um ordenado por cada ano de serviço, mais subsídio de férias e de Natal, nos correspondentes duodécimos pelo tempo de serviço prestado este ano).

O passivo do Jornal está avaliado em 52 milhões de euros, após injeções sucessivas de capital do erário à razão de 2,6 milhões ao ano. O atual executivo de Miguel Albuquerque já disse que irá manter o suprimento oficial em 2016, num total de 1,1 milhões de euros, o que representa uma redução significativa relativamente ao anterior governo. Mesmo assim continua a debater-se com um difícil legado deixado pelos executivos de Jardim. Nos próximos tempos, a estratégia será gerir os danos colaterais e ir arrumando a casa, de forma a atrair eventuais investidores e ultimar assim o processo de alienação. O primeiro passo será a diminuição das despesas de funcionamento, através da redução dos custos com pessoal (rescisões e revisão de salários). Nos planos do atual conselho de gerência, formado por Paulo Vieira, António Abreu e Paulo Gouveia e Silva, está a extinção de sectores como a fotografia, a limpeza e os motoristas, serviços que passarão a ser realizados através de contratos de outsourcing.

Todavia, são muitos os céticos em relação à revitalização da empresa Jornal da Madeira. Há quem veja nestas medidas de descapitalização dos recursos humanos uma estratégia de “morte lenta” do projeto.