* Com António Ribeiro Marques da Silva (filho)
Grandes professores. A estatura dos dois amigos não ultrapassava a mediania. Mas mereceram, bem, o adjetivo com que iniciamos o comentário a esta foto. Grandes na ação pedagógica e nos exemplos que deram de uma vida dedicada aos outros. Nos anos 1976-1977, passeavam muitas vezes pelas ruas do Funchal, e foi nessa altura que, um dia, tivemos a sorte de disparar a nossa câmara. O professor José Modesto da Trindade nasceu em 1897 na Madeira, e, para além das suas qualidades didáticas, segundo o seu amigo Marques da Silva, era um líder natural dos professores madeirenses, promovendo encontros, em que os mais antigos confraternizavam com os mais novos não havendo distâncias, nem “velhos”. À volta do Prof. Trindade só havia jovens! Na sua reforma, não se ateve parado e desempenhou o cargo de Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, promovendo o melhoramento e reconstrução do parque escolar daquele concelho, criando ainda o Parque Infantil e distinguindo a cultura, nomeadamente, através da implantação de bustos de ribeira-bravenses ilustres, como o Padre Manuel Álvares e o Visconde de Ribeira Brava.
O professor António Marques da Silva nasceu em 1900, em Benquerenças, mas em breve passou para o seu “berço” de Sarzedas, perto de Castelo Branco. Cursou o Liceu de Castelo Branco onde concluiu o Curso da Escola Normal. Todavia, após um ano de docência em Castelo Branco, resolveu concorrer para a Madeira, obtendo colocação na escola do atrasadíssimo São Jorge de 1921. Muito bem preparado, amante das artes, da música e letras provocou uma verdadeira revolução no ensino, na lindíssima freguesia. Passou depois para Santo António e Funchal onde continuou a sua carreira na docência da instrução primária, mas igualmente no ensino secundário. Começa a sua colaboração literária no Jornal da Madeira, Voz da Madeira, e na antiga revista Esperança e, no Continente, no Mensário das Casas do Povo e em outras publicações: Revista de Portugal, Boletim de Língua Portuguesa, Pró-Música e Flama. Entre 1940 1943 viveu em Lisboa mas depois regressou à Madeira quando foi criada a nova Escola do Magistério Primário, de que foi o primeiro professor efetivo. É autor de um romance, “Minha Gente”, “Os Anjos Descem”, poesia sobre a infância, e “Linguagem Popular da Madeira”, editado em 2013 pela DRAC. Memorialista e interessado pela etnografia, tem muitos trabalhos a aguardar publicação.
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