ARM investe 30 milhões em canais de rega nos próximos 5 anos

A empresa que gere a água na Madeira prevê gastar 30 milhões no canais de regadio, nos próximos 5 anos.
A empresa que gere a água na Madeira prevê gastar 30 milhões nos canais de regadio, nos próximos 5 anos.

A água de rega está a faltar nos concelhos de Santa Cruz e Machico. O JPP acusa a ARM – Águas e Resíduos da Madeira de falta de investimento no sistema. A empresa, que prevê investimentos na ordem dos 30 milhões, defende-se com o mau estado da rede pública e com a falta de chuva nos últimos três anos.

Em comunicado enviado às redações, a empresa que gere a distribuição de água na Região refuta as críticas do JPP, sublinhando que a necessidade de intervenção nos canais secundários está já identificada e faz parte do plano de investimentos para os próximos 5 anos, com um valor estimado de 30 milhões de euros.

“O sistema multimunicipal de água de rega da RAM sofreu ao longo dos últimos 15 anos várias intervenções, nomeadamente, em canais principais, que constituíram um investimento na ordem dos 50 milhões”, pode ler-se no comunicado.

Aquele organismo aponta ainda outras causas para a significativa redução do caudal disponível para regadio, nomeadamente o aumento do fornecimento de água entre 2010 e 2014, nos concelhos de Machico e Santa Cruz. Situação que só não é agravada, justifica, porque o município do Funchal (que é também abastecido pelo Canal dos Tornos) tem realizado intervenções na rede, o que se reflete na diminuição de necessidade de fornecimento de água.

O mau estado das redes de abastecimento público têm igualmente contribuído para as perdas de água (que inclui fugas e gastos não contabilizados) acima dos 60%. O que aumenta a necessidade de fornecimento de água para consumo público, água essa que é subtraída ao regadio.

“Por isto, é de extrema importância a manutenção/substituição continuada das redes de abastecimento público, por quem as gere, bem como a adoção de hábitos de poupança e racionalização no uso de água no dia-a-dia, por parte de todos”.

A ARM atribui ainda a situação aos maus anos hidrológicos que se têm registado (principalmente os últimos 3), em que houve uma significativa diminuição da precipitação, conforme se observa no gráfico infra, sendo que o ano hidrológico em curso também não se afigura favorável, devido à diminuta precipitação até à data. Acresce que, em alturas de escassez de água doce e em casos de conflito de usos, a prioridade seja o fornecimento ao consumo humano e só depois a disponibilização para regadio e energia.

ARM-águas e resíduos da Madeira

Relativamente ao regadio no concelho da Ribeira Brava, em particular o servido pelo Canal do Norte, de momento, a empresa refere que a água é fornecida com intervalos entre os 14 dias (no Campanário) e os 24 dias (nas Covas), que não sendo o mais ajustado às necessidades, é o possível face às disponibilidades de água.