“Pagar preço de turista para ir a casa”

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Fabíola de Sousa

Num momento em que se fala tanto da descida de preços das tarifas áreas da Madeira para o Continente, o que ajudaria muito os estudantes universitários e residentes nas suas deslocações para sair da ilha, o Funchal Notícias ouviu o testemunho de algumas famílias e estudantes que se queixam dos preços excessivamente caros das viagens. Anualmente há famílias a gastar cerca de 2000 euros para que os filhos possam vir a casa nos períodos de férias.

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Muitas das famílias que têm filhos a estudar no Continente deparam-se com inúmeras dificuldades monetárias para que os filhos possam vir à casa nos períodos de férias, nomeadamente Verão, Páscoa e Natal. Em declarações ao Funchal Notícias a família Silva que tem uma filha estudar em Coimbra explicou que por ano chega a pagar cerca de 2000 euros só em viagens, nomeadamente, com um aumento muito elevado se a filha vem no Natal.

“Ela já está no último ano do curso mas no ano passado foi mesmo complicado. Somando assim por alto nós em viagens, em 2014, pagamos cerca de 2000 euros. Dá para pagar o valor anual das propinas e ainda sobra. Ela veio no Natal foram quase 400 euros na TAP, com passagem reservada quatro meses antes. Veio na Páscoa, no Carnaval, no Verão e num fim-de-semana que tinhas coisas para resolver, sei que o valor é muito aproximado dos 2000 euros. É um absurdo”, refere a família Silva que salientou o facto do curso da filha esta a terminar, o que será um alívio financeiro pelo menos ao nível das deslocações.

Das mesmas dificuldades padece a família Freitas que tem um filho a estudar no Porto no segundo ano de curso. “Nós não temos grandes possibilidades, ele tem a bolsa que não dá para muito, mas só vem cá no verão e no Natal e é com grande sacrifício e ajuda de todos os familiares”, refere a família Freitas, acrescentando, que no último com uma viagem paga em junho de 2014 na TAP o filho pagou cerca de 300 euros para vir à casa 10 dias, “estes preços são um absurdo porque nós somos portugueses e devíamos pagar o mesmo que paga um estudante que estuda em Lisboa e vai à casa no Algarve ao fim-de-semana 30 euros de comboio. É uma vergonha os nossos filhos pagarem preços tão elevados para estarem em casa com a família.

Questionados sobre o facto das transportadoras low-cost praticarem preços mais baratos as duas famílias referem que dependendo das épocas os preços são semelhantes, “às vezes as viagens na easyJet são mais caras que na TAP”.

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“Não fui a casa no Natal porque as viagens estavam a 1300 euros” 

O Funchal Notícias falou também com alguns estudantes madeirenses que estão em Coimbra, Lisboa e Santarém e a queixa é sempre a mesma preços demasiados elevados que os pais muitas vezes não conseguem comportar e que os obriga a passar as férias no Continente. A reclamação é generalizada pagam preços de turista para ir à casa.

Alexandre Silva, de 21 anos, estuda enfermagem em Santarém, frequenta o segundo ano do curso, em conversa com o Funchal Notícias revela que tem passado por algumas dificuldades para vir à Madeira, nomeadamente no Natal. “No ano passado, 2014, não fui a casa no Natal porque as viagens estavam a 1300 euros. Tive de passar o Natal longe da família”, confessa. A estudante de enfermagem revelou ainda que durante um ano escolar, sem contar com o Natal gasta 1000 euros só em viagens. “São os meus pais que me ajudam. Tenho uma bolsa que mal dá para estar cá. Num ano se eu for à Madeira três vezes, sem contar com o Natal, as viagens andam à volta dos 1000 euros. Fui na Páscoa gastei 250 euros e em mais um fim-de-semana foi mais 150 euros. Para ir no Verão agora são mais 300 euros. E é que faço as reservas com algum tempo de antecedência. E vou na EasyJet que é mais barato. Na TAP os preços são ainda mais caros”, explica.

Alexandra referiu ainda que já esteve a ver preços para vir neste Natal, e com quase meio ano de antecedência, a viagem já custa 400 euros. “Para conseguir uma viagem a 100 euros tenho de reservar com quase um ano de antecedência e em época baixa, fevereiro, e acabo por correr o risco de perder a viagem porque tenho muitos estágios e nunca sei quando acabam e os meus horários são feitos uma semana antes. É sempre um transtorno grande, se quiser ir a casa tenho de pagar muito caro”, salienta a jovem, acrescentando que é injusto para os estudantes “pagar preços de turista para ir a casa”.

Reembolso das viagens são uma “dor de cabeça”

Outro dos incómodos dos estudantes madeirenses que estudam no Continente é questão dos reembolsos das viagens. Para receberem os 60 euros referentes ao preço que pagaram pela viagem seja na TAP ou na easyJet ou em outra companhia área é complicado e por vezes os estudantes não conseguem recuperar o dinheiro. Alexandra Silva conta que por exemplo realizou duas viagens em que não conseguiu recuperar o dinheiro porque no Continente aos sítios onde se deslocou dizem que não fazem ou não sabem fazer o reembolso.

“Algumas vezes vou aos correios aí na Madeira e consigo fazer o reembolso dos 60 euros, mas outras vezes não dá porque aqui no Continente eles não sabem fazer esses reembolsos e houve duas vezes em que não consegui recuperar o dinheiro. É quase se um transtorno”, refere a estudante.

Os incómodos para receber o reembolso das viagens é uma queixa também de outros estudantes que se encontram em Lisboa e Coimbra, sendo de destacar o facto de no Continente não conseguirem fazer o reembolso. Ou vão à Madeira e fazem nos CTT ou muitas vezes perdem o dinheiro.