Obras no cemitério dos Judeus

Maquinaria junto ao cemitério indica que as obras de reabilitação vão avançar.
Maquinaria junto ao cemitério indica que as obras de reabilitação vão avançar.

* com Emanuel Silva

Parece estar resolvido o impasse no que se refere às obras de reabilitação do cemitério judaico, na zona do Toco, Lazareto. Esta manhã, decorriam no terreno os procedimentos para o arranque dos trabalhos, os quais deverão passar maioritariamente pelo reforço da escarpa que suporta este espaço centenário.

Parte da estrada foi ocupada por proteções de metal, resguardando a zona onde deverá ficar instalada a grua principal. No interior do cemitério, esta manhã de porta aberta, eram visíveis os materiais de construção.

Recorde-se que o cemitério dos Judeus há muito que apresenta avançado estado de degradação, tendo parte do terreno sobranceiro à ravina cedido, acabando algumas das sepulturas por cair no calhau.

Chegou-se a perspetivar a transferência do cemitério para um espaço reservado na unidade de São Martinho, mas a lei judaica não permite a transladação das sepulturas.

Desde então, a autarquia do Funchal e a comunidade judaica têm tentado resolver a situação. Em abril deste ano, o Funchal Notícias dava conta do estado de abandono do cemitério, que se encontra há muitos anos de portas fechadas a cadeado. O último funeral foi realizado há mais de três décadas.

Esta manhã, as portas abertas mostravam materiais de construção no interior do cemitério.
Esta manhã, as portas abertas mostravam materiais de construção no interior do cemitério.

Nos 294 m2 sobranceiros à praia do Toco, no Lazareto, encontram-se cerca de 30 pessoas sepultadas, mas muitas lápides apresentam-se danificadas ou em estado irrecuperável.

O cemitério dos Judeus, propriedade privada da comunidade judaica, foi classificado em 1993 como monumento de interesse municipal –Valor Cultural Local- (Resolução  n.º 1354/93, de 30/12/1993, publicado no JORAM, 1.ª série, n.º 147).

Na altura, o Conselho de Governo criou uma zona de proteção de 50 metros, “contados a partir dos limites exteriores do mesmo” e justificou a classificação pelo portal em cantaria e pelas inscrições tumulares em hebreu assim como por ser referenciado “em textos e literatura oitocentista”.

A porta deste cemitério tem a data 1851 e, segundo os dados históricos disponíveis, o primeiro funeral aconteceu a meados da década de 1850, provavelmente, a mãe de José de Abudarham, mais precisamente em finais de Fevereiro de 1854.

Junto ao espaço, decorre o procedimento de instalação da grua.
Junto ao espaço, decorre o procedimento de instalação da grua.