Ameaças à democracia

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A Comunicação Social revelou que, as intervenções dos comentadores políticos, incomodam o Sr. 1º Min. Coisa muito # sem nada de polémico numa sociedade democrática vivendo em liberdade. Será, porém, este pensamento tão inócuo quanto parece?

A 18 de Março de 1990, os Alemães de Leste despedem-se do partido único e acolhem a economia de mercado e a Liberdade. É o triunfalismo: “Marx morreu, Cristo está vivo”. Euforia semelhante ocorrera, por cá, 15 anos antes. O multipartidarismo, a Liberdade e a economia de mercado são conceitos que encanta(ra)m. Os HOMENS querem: Paz, Saúde, Habitação, Alimentação e Educação. Ele, o Homem, abomina: guerra, sofrimento, fome, doença e ignorância, viva ele em que regime político viver. A adesão à quimera foi um êxito global. Na Europa e no Mundo seguia-se um rumo diferente daquele que fora previsto. A Rússia torna-se um regime eleitoral, ainda que autoritário. Tianamen acontece em Pequim. Aproveitando a onda da adesão popular à Liberdade, multipartidarismo e mercado livre, os eleitos logo exploraram o filão. Findo o entusiasmo inicial, temos, hoje, na Europa, 50% de abstenções em eleições. Os dirigentes convivem mal com esta realidade, detestam que ousem exibir-lhes, publicamente, as respectivas mentiras e incoerências. Quanto nos ajudam os comentadores, sobretudo os independentes!

Razões Históricas e Culturais são, magistralmente utilizadas junto dos eleitores, para lhes extorquir o voto. Encontramos dois modos de agir diferentes nos dirigentes Europeus. Surgem, do nada, no leste europeu, os ricos amigos do novo Czar – Putin – agora proprietários dos antigos “meios de produção”, protegidos por regras económico-jurídicas altamente favoráveis. Vem daí o dinheiro fácil para o futebol e outras liberalidades. Os dirigentes Russos, – aproveitando a matriz cultural do POVO, sempre disposto a submeter-se a um Czar – já mostraram aquilo que valem com o seu silêncio à morte de um opositor em circunstâncias misteriosas. Na Europa Ocidental, com a Liberdade há muito assimilada em quase todo o seu espaço, o mercado e o multipartidarismo, revelam-se o nó górdio da gestão política. A ânsia de “boa vida” dos eleitores, nos Países recém-chegados à companhia dos “ricos”, deu-lhes mais olhos que barriga. Durante quarenta anos, políticos que tiveram as suas valências profissionais avaliadas pelo sorriso e pela respectiva capacidade de mentir, contraíram – em nome dos eleitores – dívidas insuportáveis. Destruíram aquilo que dava emprego e produzia, agricultura e a pesca foram sacrificadas aos subsídios da CEE. Auto-atribuíram-se remunerações e outras mordomias incomportáveis para os bolsos dos pagadores de impostos. O “dinheiro fácil” inunda a vida económico-social e cria a ilusão de que temos ali um bem inesgotável, que os dirigentes manipulam a seu belo prazer. O sistema financeiro adoece com todo este “dinheiro impuro”. A corrupção grassa, os negócios sucedem-se sem ética. O homem, ao serviço de quem deve estar a economia, é postergado.

As “dores” do Sr. PM estão identificadas. Nós, eleitores, damos conta disto. Coerentemente vota-se nulo, ou não pomos os pés nas assembleias de voto, revelando azedume. Atribuem-nos as culpas, e, já ameaçam tornar o voto obrigatório. Seguir-se-ão, ao aparentemente inofensivo reparo do Sr. PM e, ao voto obrigatório, em nome da defesa da “estabilidade social”, restrições à Liberdade de imprensa. Nesse tempo que, pelo andar da carruagem, está mais próximo do que possa parecer, este texto acabará punido.

 


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