Quem não conhece a história tantas vezes contada daquele filho que desbaratou, num curto espaço de tempo, toda a fortuna herdada do pai, conseguida ao longo de anos com muito suor e lágrimas?
Isto para dizer, e ainda no rescaldo das últimas eleições regionais, que na política também acontecem casos destes; em que num ápice, se dissipa e estraga o fruto de de anos e anos de trabalho, precisamente por gente que não sabe o que “custou a ganhar”.
E fez precisamente um ano, que Vitor Freitas e Paulo Cafôfo rebentaram num “abrir e fechar de olhos” o trabalho que a Oposição fez ao longo de 40 anos de luta contra o Jardinismo.
Se o Paulo Cafôfo andasse nas inaugurações a levar porrada e a ser insultado, se andasse nos tribunais a ser perseguido pela justiça do regime, se sofresse a perseguição económica, por parte dos algozes do jardinismo, não desbaratava esse “capital” da maneira tresloucada como o fez. Mas seja Vitor Freitas, seja Paulo Cafôfo, tudo lhes caiu fácil nas mãos. Desde rapaz, que Freitas fez da política carreirismo, sempre a receber bons ordenados e mordomias, conseguindo uma vida desafogada à custa de uma oposição fingida. Paulo Cafôfo, esse nem mexeu uma palha contra o regime, nem um artiguinho num jornal, nem uma tomada de posição contra a ditadura jardinista, “nem um pio” contra os atentados ambientais e outras arbitrariedades que destruíram a nossa terra, nada! O homem andava no seu casulo pequeno burguês sem abrir o bico, e de repente, Vitor Freitas descobre-o no meio do seu “laboratório de rosas mutantes” e lança-o ao poder, só porque fala bem e tem um sorriso Colgate. (Embora muita gente não saiba, Paulo Cafôfo foi a 4º escolha da Coligação “Mudança”, depois de muito boa gente não ter aceite o desafio.)
E, graças à irresponsabilidade e desfaçatez destes cavalheiros, foram mandados para as urtigas anos e anos de árduo trabalho da Oposição regional, precisamente, porque as pessoas deixaram de acreditar em alternativas sérias e credíveis ao poder laranja, aliás, basta olhar para a actual anarquia camarária de Paulo Cafôfo para os cidadãos ficarem cheios de calafrios. No entanto, uma lição ficou, os políticos têm de ser sujeitos a uma espécie de selecção natural, o chamado “darwinismo político”, tão bem explicado por Richard Hofstadter, em que para se chegar a lugares de topo, tem de se passar por várias etapas e desafios e sempre sob auscultação da opinião pública. Porque esta coisa de se cair de “páraquedas” em cargos de grande responsabilidade sempre pode descambar num sarilho.
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