Toxicodependentes são os únicos interessados no património da Torre do Capitão

Torre Capitão
Fotos Rui Marote

A Torre do Capitão, em Santo Amaro, está abandonada.

O Funchal Notícias passou por lá e verificou que as teias de aranha no portão de acesso ao conjunto arquitectónico denotam que, há anos, ali poucos entram.

No interior da propriedade uma cadelinha assoma. Parece ser ela a nova capitã deste imóvel.

De resto, o que nos diz a vizinhança é que os únicos interessados no património cultural são os toxicodependentes, do Bairro de Santo Amaro, que fazem da propriedade, sala de chuto.

Recuperada em 2003

Torre capitão
Placa vandalizada.

O Governo Regional, em 2003, para a intervenção no Núcleo Histórico de Santo Amaro, recorreu a fundos comunitários para recuperar a Torre do Capitão, a capela de Santo Amaro e a Casa do Romeiro.

Ainda hoje lá está uma placa, vandalizada, onde, a custo, é possível ler “projecto co-financiado pela União Europeia” (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional).

Custou cerca de um milhão de euros e não tem qualquer rentabilidade.

A DRAC recorreu ao arquitecto Vítor Mestre para a recuperação do imóvel.

Hoje, o espaço continua fechado, sem projecto ao serviço do público.

Tema de jogo multimédia

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A cadelinha guardiã do património.

Em Março de 2008, ‘A Torre do Capitão’ foi o tema de um jogo multimédia, com objectivos didáctico-pedagógicos, lançado para as escolas na véspera do Dia dos Monumentos e Sítios.

“Vamos Conhecer… A Torre do Capitão” foi uma ferramenta didáctico-pedagógica ao serviço dos professores nas suas actividades curriculares e extracurriculares.

Foi desenvolvida a pensar primordialmente nos alunos do Ensino Básico e pretende, por um lado, divulgar este singular elemento da nossa história – A Torre do Capitão, em Santo Amaro, Funchal – e, por outro, promover a sensibilização para o património histórico-cultural dos Madeirenses.

Esta actividade foi desenvolvida pelo Centro de Arqueologia Moderna e Contemporânea em parceria com o “Funchal 500 Anos”, incluído no programa das Comemorações dos 500 Anos da Cidade do Funchal, e, com a Direcção Regional da Juventude.

Após ser apresentado, foi levado às escolas através dos técnicos do Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea.

Classificada desde 1995

Torre do capitão

O conjunto da Torre do Capitão e Capela de Santo Amaro é um imóvel de interesse público como tal classificado a 11/04/1995 (resolução n.º 409/95 publicada mo JO, n.º 71, 1.ª série).

A Torre do Capitão, foi mandada erguer em meados do século XV por Garcia Homem de Sousa, genro de João Gonçalves Zarco, tendo sido utilizada como residência. É uma construção acastelada há maneira medieval, de planta quadrangular sendo, provavelmente, a mais antiga construção de características militares construída por portugueses fora do território continental ainda em pé.

A importância histórica do monumento foi entendida pelo Governo Regional, sendo património classificado de interesse regional. A Torre do Capitão assume-se, de facto, como um conjunto representativo do potencial historico-arquitectónico da Região.

É constituído, recorde-se, pela torre propriamente dita, pela Capela de Santo Amaro (a mais antiga, mandada erguer em 1460 pela família de Garcia Homem de Sousa) e pela Casa do Romeiro.

A mais antiga edificação fora do espaço europeu

Torre capitão2O Núcleo Histórico de Santo Amaro- Torre do Capitão, é constituído por um grupo de edifícios representativos dos séculos XV a XVII nomeadamente a Torre do Capitão, a Capela de Santo Amaro , a Casa dos Romeiros e o novo edifício construído.

A Torre do Capitão é o elemento arquitetónico mais expressivo por se tratar da mais antiga edificação de caráter militar existente na ilha da Madeira apresentando traços medievais da sua traça primitiva.

A torre é simultaneamente a mais antiga edificação em alvenaria feita por europeus fora da Europa, a de portugueses no espaço Atlântico e o da Madeira. Foi submetida, esta construção, a grandes intervenções arquitetónicas.

A capela de Santo Amaro a mais antiga desta paróquia e também uma das mais antigas de toda a Diocese. É das poucas igrejas e capelas edificadas no século XV, que ainda restam na Madeira, embora a construção primitiva tenha sofrido profundas modificações no decorrer dos séculos e alvo de um incêndio em 1989 que deflagrou todo o seu recheio.

A recuperação da antiga funcionalidade da Capela de Santo Amaro foi contemplada no projeto. Destaque-se do seu espólio um Vitral da autoria de Pedro Calapez- Uma breve visão e uma Mesa-Altar do escultor Rui Sanches.

A casa dos romeiros deverá ser de construção antiga, associada à devoção de Santo Amaro, foi outrora o centro de populosa romaria, local onde afluíam pessoas de diversas freguesias nas celebrações anuais do orago.

Foram feitas obras de restauro nesta casa no sentido de se converter na receção/portaria e loja do núcleo Histórico

Foi projectado para o local uma área de Exposição/Edifício Construído com duas áreas distintas: área funcional e de serviços e área de exposição.Nesta, foi desenvolvido o tema da descoberta e povoamento do Funchal e da Madeira dos séculos XV e XVI, do regime e divisão de propriedade, produtos do ciclo inicial de economia local e reverberações na sociedade da época.