Helena Mota
A 36ª edição da Festa da Flor foi ontem à tarde formalmente inaugurada com pompa e circunstância, já que contou com a presença de todo o elenco governativo cessante. Ausente esteve Alberto João Jardim, que regressa esta sexta-feira de Bruxelas.
Conceição Estudante, Cunha e Silva, Jardim Ramos e Jaime Freitas chegaram juntos à Avenida Arriaga, ao primeiro dos pavilhões junto à Rotunda, para dar início ao ato inaugural da Festa da Flor. Vinham sorridentes, depois daquele que foi o último Conselho de Governo na Quinta Vigia, sob a presidência do Vice Cunha e Silva. A aguardá-los estavam Manuel António Correia e Ventura Garcês, diretores regionais e outros quadros das Secretarias Regionais do Ambiente e do Turismo. O grupo de governantes foi recebido efusivamente, dispensando igualmente abraços e cumprimentos aos presentes.
Durante cerca de uma hora, a comitiva percorreu toda a placa central da Avenida Arriaga, aproveitando para apreciar os tapetes florais e os arranjos naturais que decoram este espaço da cidade até ao próximo dia 22 de abril. Ao longo do percurso, posaram animadamente para as dezenas de fotógrafos profissionais e amadores que cobriam o evento e motivaram a curiosidade das largas centenas de populares e turistas que aproveitaram o fim de tarde para um passeio na baixa da cidade.
Num dos últimos atos oficiais deste Governo, os secretários mostraram-se sempre bem-dispostos. Com Jardim ausente da Região, puderam ser o centro das atenções. O momento atraiu também caras conhecidas da sociedade madeirense, que, individualmente ou em grupo, foram acompanhando o grupo de longe.
1.600 exemplares em exposição
O cortejo teve como ponto de chegada o Largo da Restauração, onde se procedeu à abertura da 60ª Mostra de Flores, este ano subordinado ao tema “A floresta mágica”, um evento que pretende divulgar e promover o trabalho e o engenho de muitos produtores regionais.
Na tenda especialmente montada, os governantes puderam apreciar os cerca de 1.600 exemplares este ano a concurso, distribuídos por três categorias: plantas em vaso, flores de corte e arranjos florais. São cerca de 30 os participantes naquela que é uma das atrações mais antigas da Festa da Flor. A visita ao certame fez-se na companhia do diretor regional de Agricultura e de técnicos da Divisão de Promoção Agro-Alimentar, tendo os secretários regionais ficado a saber que a edição deste ano alia a beleza da flores ao encantamento da floresta Laurissilva e ao imaginário dos contos infantis, sem esquecer a homenagem à “Luz”, elemento importante à vida das plantas e que tem em 2015 o seu Ano Internacional.
Como vem sendo hábito, a cerimónia de abertura serviu ainda para dar a conhecer os exemplares premiados em cada categoria e proceder à entrega de prémios aos galardoados da edição do ano passado. Esta mostra é aberta tanto a empresas como a particulares, muitos deles, como a Fundação Martha Schön, já uma presença constante e regular, apesar de todos os anos se registar a participação de novos expositores.
Algumas das plantas em exposição são exemplares únicos, fruto de um longo trabalho de cruzamentos entre espécies, levado a cabo por empresas do setor. Destacam-se pelas suas características singulares e beleza rara, cativando a atenção de muitos forasteiros que levam da Madeira a verdadeira imagem da ilha das flores.
Recorde-se que, em 2014, a exposição teve mais de 60 mil visitantes, facto que tem levado os responsáveis a uma aposta cada vez maior na reinvenção estética e técnica do evento.
Artesanato e tradição
Já cá fora, o ambiente era de animação com as famosas barraquinhas a apostar nas iguarias regionais. Para além da poncha e do Vinho Madeira, o balcão do sumo de cana registava um número apreciável de clientes, atraídos pelas novas especialidades à base deste novo produto. Kanosca, Sidrana e Kanis parecem ser a nova aposta, disputando a preferência dos apreciadores de bebidas regionais.
Presença neste evento, os carreiros do Monte querem também mostrar que os carros de cesto, apesar dos seus mais de 100 anos de história, continuam “fixes”, a crer na opinião recente da CNN que elegeu este meio de transporte um dos sete mais incríveis do mundo. Atualmente, são 150 os profissionais que diariamente descem o caminho do Monte, aos comandos dos carros de cesto. O mais velho dos carreiros no ativo conta com 70 anos de idade. Caso raro, já que a profissão é composta maioritariamente por elementos jovens.
O Bordado Madeira alia-se uma vez mais a este evento. Muitos dos seus motivos são de inspiração floral. Para além de um pavilhão próprio, onde é possível apreciar processos, equipamentos e técnicas, o artesanato marca presença nos fatos e adereços criados especialmente para o evento.
A Festa da Flor constitui um forte cartaz turístico da Região. Estima-se que a ocupação hoteleira atinja os 94 por cento, neste período.
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