Viagem a Sonargaon: riscar do dicionário a palavra medo!

Um novo tipo de chapéu para proteger do sol
Um novo tipo de chapéu para proteger do sol
Relíquias de um passado colonial
Relíquias de um passado colonial
A alegria das crianças, só por ver um estrangeiro
A alegria das crianças, só por ver um estrangeiro
Resistindo à passagem do tempo
Resistindo à passagem do tempo
Panam City: a aguardar recuperação. Para quando?
Panam City: a aguardar recuperação. Para quando?

Rui Marote (texto e fotos)

Resolvi sair para fora de Dhaka no autocarro do povo. Destino: Sonargaon, centro administrativo, marítimo e comercial histórico no centro do Delta do Ganges, Descobri uma cidade velha: Panam City, situada nessa localidade. Era um centro de comércio de tecidos de algodão na antiga Índia do império britânico. As casas dos comerciantes indianos foram construídas à semelhança do estilo colonial europeu. Hoje a área é protegida pelo departamento de arqueologia do Bangladesh,
Descrever o trajecto não é fácil.Os autocarros partem do centro de Dhaka em Gulistam.
Quando cheguei deparei-me com centenas de autocarros e sem qualquer informação .
Dirigi-me a um policia que se limitou apontar. Nos autocarros, toda a informação está na língua bengali. Surge um homem a vender bilhetes e digo: Doyel! Ele acena com a cabeça e dá-me um bilhete. 40 taka, diz. Bus?, volta a apontar para mim e volta a confirmar a entrada.
Já sentado ao lado do motorista, este busca debaixo do meu assento um espanador; abre a caixa do motor e pede ao bilheteiro para se colocar ao volante. Com ajuda do cabo do espanador que serviu para desprender o motor de arranque, lá o autocarro começa a funcionar. Duas buzinadelas,e a batedeira põe-se em marcha. A saída de Dhaka é dramática ,um autêntico ‘poço da morte’. Fecho os olhos dezenas de vezes, pensando: e agora vai bater! Ao lado, na rua, isto repete-se constantemente, não só com este mas com outros veículos…

Com o autocarro superlotado, já em plena auto-estrada vamos assistindo a um concerto de buzina. Ultrapassagens de riscar do dicionário a palavra medo. A batedeira sacode por todos os lados,caindo de vez em quando nos buracos do pouco asfalto existente.

Parece uma montanha russa: 125 quilómetros de respiração suspensa, com nuvens de poeira que tornam assustadora a visualização do caminho.
O motorista vai sempre a abrir, com ultrapassagens arriscadíssimas. Finalmente, cheguei a Doyel na Paz do Senhor porque está escrito: “nenhum mal me atingirá” ! À saída, agradeço ao meu Deus.
Para chegar a Panam City tenho que negociar o meu transporte de riquexó durante cerca de15 minutos,  Paguei 20 taka, o que equivale a 1 euro e sessenta.
Visitei as ruínas de uma cidade antiga com algumas casas ainda de pé e nos arredores umas aldeias.A viagem valeu pela manifestação exuberante dos alunos de uma escola devidamente uniformizados, que me rodeavam e gritavam. Sempre a tentar adivinhar a nacionalidade, com as palavras are you…are you..
Tirei umas fotos à criançada que exalava sinais de alegria.
Regressei a Dhaka e a “ementa” voltou a repetir-se. Desta vez o autocarro já estava repleto e viajei no banco de trás .Ali,i parece que estamos nos aviões de uma feira popular: chegamos a saltar uns 30 centímetros do banco para o tecto. De novo no hotel …os termómetros acusam 39 graus. Não dá para andar na rua a esta hora.. O ar condicionado do meu quarto é um verdadeiro presente de bem-estar, para as peripécias que passei durante a manhã…

Manifestação pelos direitos das mulheres: elas não se ficam!
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Uma outra manifestação, de sindicalistas: há mais reivindicação no Bangladesh do que na Madeira...
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