O convite do Papa Francisco: 24 horas diante do Senhor

MARCOS GON FOTOS
O Padre Marcos Gonçalves é responsável pela Paróquia de São Martinho.

 

Padre Marcos Gonçalves

Hoje e amanhã, serão muitas as paróquias que irão responder ao convite do Papa Francisco, na sua mensagem da Quaresma, a rezar contra a tentação da indiferença. Perante tantas más notícias, tanto mal causado ou natural e imagens terríveis que nos chegam do mundo inteiro, ou bem perto de nós, tantas vezes, caímos na indiferença e simplesmente voltamos a cara e seguimos em diante. Indiferença que nasce nos corações não apenas pelo egoísmo, mas pelo medo e pela angústia gerados pela incerteza dos tempos presentes ou pela simples lógica de que não podemos mudar o mundo, pelo sentimento de impotência. Não podemos fazer nada, pensamos. Que fazer para não cair nesta espiral de indiferença e de impotência? Pergunta o Papa.

O Papa Francisco responde: primeiro podemos todos rezar. Não subestimemos a força da oração. Numa entrevista, perguntaram ao Papa se tinha valido a pena juntar os líderes de Israel e da Palestina para rezar. E o Papa respondeu, com aquela simplicidade a que já nos habitou: se não rezássemos podia ser bem pior.

Daqui surge um desafio e o convite do Papa a rezar 24 horas diante do Senhor contra a tentação da indiferença. Paróquias, grupos, movimentos irão organizar estas 24 horas numa verdadeira dinâmica de saída de cada um para encontrar o outro e Deus, num diálogo que nos torne mais fortes para viver neste mundo. Rezar nunca será fechar-se em si e nos seus problemas mas descobrir Deus que nos diz: Eu amo-te. É este, ao final de contas, um dos grandes caminhos do tempo de preparação para a Páscoa, a Quaresma, o colocar Deus mais presente na nossa vida. Que não passe um único dia em que o nosso espírito não se volte para Deus. Os pais não se esqueçam do seu grande papel de formadores da fé dos seus filhos: rezar com eles uma oração que os ajude a abrir o coração para além de si mesmos. Uma oração em família que rasgue horizontes e fortaleça o coração para vencer os grandes desafios da vida. Descobrir a oração como um diálogo de amigo para amigo.

O encontro com Deus abrirá o nosso coração ao outro. Rezar será não apenas falar com Deus, mas também ouvir Deus que nos envia e nos desacomoda: “onde está o teu irmão?”. Caim a esta pergunta de Deus respondeu: “Serei eu, porventura, responsável pelo meu irmão?” É este o segundo exercício no tempo da Quaresma, o dar esmola, o crescer para a generosidade. Não dar apenas uma coisa, mas tocar a vida dos outros com um olhar, com um “bom dia”, com um sorriso, com uma palavra de ânimo e de amizade, com um perdão, com um recomeço ou uma nova oportunidade dada. Mostrar interesse pelo outro, diz-nos o Papa, através de um sinal – ainda que pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum. Ou, ainda, pode ser simplesmente fazer bem os nossos compromissos, responsabilidades, profissões. Com novo alento, com novo espírito de equipa e de entrega.