Educação Física (EF)

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Quando falamos de Educação Física como área curricular do nosso sistema educativo quase existe unanimidade no reconhecimento da sua importância na socialização e no desenvolvimento integral das nossas crianças e jovens. Mas se falamos de avaliação em Educação Física, nomeadamente do seu efeito no cálculo da média final do secundário para acesso ao ensino superior, aí já existem opiniões muito divergentes.

A Educação Física é importante! Através dela criam-se hábitos de vida saudáveis através da prática de actividade física; adquirem-se conhecimentos que permitem o desenvolvimento autónomo das capacidades físicas com as devidas repercussões positivas ao nível da saúde física e mental.

Mas será mesmo assim? Se estes objectivos estivessem a ser atingidos e fossem reconhecidos pela sociedade em geral, estaríamos aqui e agora a discutir se a mesma deve ou não contar para o prosseguimento de estudos? Ou se só deve contar para os que pretendam continuar nesta área? Como se os diferentes tipos de aprendizagens não fossem complementares e não contribuíssem de formas diferentes para o desenvolvimento integral dos indivíduos.

Perante esta realidade, o que fizeram os professores de Educação Física? Será que conseguiram tornar a disciplina motivante para os seus alunos? Selecionaram os melhores conteúdos em função dos desejos e necessidades dos seus alunos? Os objectivos e os critérios de avaliação eram claros? Será que não têm a sua quota-parte de responsabilidade na perda de importância atribuída à disciplina? Conseguiram passar a mensagem que a educação física não prejudica as outras aprendizagens do currículo? Aproveitaram o facto de ser uma disciplina que ocorre num contexto e espaço físico diferente?

Será que ainda estamos a tempo de invertermos a situação? Aproveitemos o exemplo da RAM que iniciou o desenvolvimento da Educação Física de base ao nível da escola primária (hoje Expressão e educação físico-motora) há mais de 30 anos, contribuindo para o desenvolvimento desportivo da região e para que hoje em dia a nossa população seja menos sedentária. Projecto que é reconhecido à escala nacional e internacional e que continua a ser alvo de experiências por outras paragens sem que assumam efectivamente a sua importância.