Conheça a estratégia para o Turismo na Região até 2020

hoteis

O Documento Estratégico para o Turismo na RAM (2015-2020), elaborado pela KPMG a pedido da ACIF – Câmara do Comércio e Indústria da Madeira, define cenários a implementar para a evolução do setor. Após a apresentação no Funchal, o estudo será dado a conhecer segunda-feira nos concelhos de Câmara de Lobos, Calheta e Ponta do Sol e até ao dia 12 nas restantes autarquias. Conheça algumas propostas da consultora para tornar a Madeira e o Porto Santo destinos mais procurados.

  • Como se carateriza o documento?

O ‘Documento Estratégico para o Turismo na Madeira 2010-20’ é composto por duas partes. A primeira, versa sobre o diagnóstico atual do setor e a segunda, sobre as estratégias a serem implementadas para a sua evolução. Da responsabilidade da ACIF, o extenso estudo foi elaborado pela consultora KPMG, que recorreu, entre outros meios, a reuniões, entrevistas a públicos estratégicos regionais, nacionais e internacionais, a análises da evolução dos principais mercados emissores, a questionários/focus groups realizados aos turistas, a comparações, a casos de estudo, à análise de tendências e de competitividade.

  • Que razões levaram a ACIF a encomendar o estudo?

No sumário introdutório, a ACIF considera que o estudo surgiu face à importância que o setor do Turismo tem na economia da Região e aos desafios que se colocam na atualidade, como a necessidade de reforçar a competitividade em relação aos destinos concorrentes.

  • Qual o impacto global do turismo na economia regional?

Em 2013, situava-se em 30% do VAB (Valor Acrescentado Bruto), 24 % do PIB (Produto Interno Bruto) e 15% do emprego total da Região.

  •  Que estimativas de evolução para 2020?

O documento prevê uma evolução a vários níveis: satisfação do turista de 70 para 85%,  aumento da entrada de turistas de 1,6 milhões para 2 milhões, subida do número de dormidas de 6,4 milhões, para 8,4 milhões e da taxa de ocupação dos empreendimentos turísticos de 60 para 68%. Inversão da taxa de sazonalidade de 34% para 30% e aumento do Rev-PAR (receita por quarto disponível) de 34,8€ para 59,6€.  O gasto médio diário dos turistas deverá ser de 142 euros e o PIB do setor do turismo atingirá 1,975 milhões de euros. A evolução conduzirá à criação de mais de 3 mil postos de trabalho.

  • Que diagnóstico faz do setor?

A análise incide sobre várias vertentes: procura, alojamento, cruzeiros, parque hoteleiro, restauração, comércio, capital humano, acessibilidade/mobilidade, produtos, promoção e distribuição. Para cada um dos itens apresenta pontos fortes e fracos. Conclui, por exemplo, que a taxa de ocupação está distante da década de 80-90 e que em 2013 se registou uma quebra de 19% nas escalas dos cruzeiros. Quanto ao alojamento, verifica-se que o aumento da oferta é desproporcional à procura. Na restauração, há uma forte herança da gastronomia típica da Região, mas também muitas infraestruturas desatualizadas. No comércio, destaca o aparecimento de alguns estabelecimentos com conceitos inovadores, mas também um envelhecimento do setor. Quanto ao capital humano, salienta a inexistência de oferta educativa ao nível do ensino superior, a reduzida formação específica dos colaboradores e uma gestão pouco profissionalizada, com exceção dos grandes grupos. Há uma baixa rendibilidade do setor e perspetivas de maior dificuldade na captação de investimento.

trail runing

  • O que revelam os turistas que visitaram a Madeira em relação à Natureza?

O questionário efetuado aos turistas abrangeu atividades desenvolvidas no meio terrestre, aéreo e marítimo. A análise revela as preferências: Item contemplativo (miradouro, visitas à natureza) 49%; eventos relacionados com a natureza 30%; caminhadas nas levadas 30%; trail running (21%); observação das aves, mind and body (yoga, tai chi, meditação…) 20%; mountain biking 19%; 4×4 e observação das baleias 18%; surf, mergulho, vela, geocashing, golfe, parapente 17%; downhill, asa delta, windsurf/ kitsurf, canoagem, stand up pudlle 16%; coastering, pesca e canyoning  15%.

  • Quais os motivos que poderão contribuir para que o turista regresse?

Dos turistas inquiridos, que já visitaram a Madeira, 26% regressaria pelas caraterísticas naturais, 12% pela qualidade do alojamento e 12% pela hospitalidade. Dos que nunca estiveram, 29 % responde que visitaria a ilha pelas características naturais, 15% pelas atrações culturais e históricas e 11% pela qualidade de alojamento.

  • Que tipo de destino turístico a Região pretende ser?

Quer ser um destino conhecido pelo contacto com a Natureza, que se deve complementar com outros momentos de descontração em ambiente moderno e cosmopolita.

  • Quais os princípios orientadores?

A confiança, a cooperação, a ambição, a autenticidade e o entusiasmo são palavras de ordem. Confiança na capacidade para ultrapassar dificuldades, na história e no futuro, cooperar entre si, com turistas, parceiros e populações. Ter ambição para ser o primeiro a entender as tendências e antecipar as necessidades dos turistas. Pautar o desempenho pela autenticidade, com as tradições genuínas. Entusiasmo para partilhar a paixão e a emoção pela Região e receber bem, que é o que melhor sabe fazer.

  • Que modelo a seguir?

O estudo apresenta três cenários de evolução possíveis, optando por um modelo integrado, ou seja a aposta na natureza, complementada com a cultura, história, gastronomia e vinhos da Região. Neste momento a Madeira está posicionada no mercado como destino de clima ameno e sol de verão, em ambiente natural.

  • O que refere sobre o processo de evolução?

São definidos quatro ‘polos’ de desenvolvimento. Baixa do Funchal, Zona do Lido/São Martinho, Zonas de Atividades de Natureza e Localidades e Polos de Atração Turística e Cultural. O centro do Funchal deverá ser requalificado, tornando-se um ponto turístico de referência, os edifícios na frente de mar deverão também ser requalificados em pequenas unidades hoteleiras e revitalizados os espaços urbanos e comerciais, na baixa da cidade (nomeadamente nas freguesias da Sé e Santa Maria Maior).

Para a Zona do Lido, recomenda-se a reabilitação urbana e paisagística, a criação de sinalética e de uma zona funcional, que permita a centralização dos turistas ali alojados e soluções de mobilidade para maior integração com o centro. Sobre as Zonas de Atividades de Natureza sugere o desenvolvimento de atrações, produtos e subprodutos de natureza, com soluções de mobilidade entre os pontos turísticos da ilha e o Funchal, assim como sinalética e segurança. Para o último item, Localidades e polos de atração turística e cultural, defende a recuperação da identidade cultural e traça arquitetónica caraterísticas de cada localidade e pequenos clusters baseados na sua oferta de produtos, eventos, restauração, comércio e atrações de animação.

  • Que experiências viverá o turista na Madeira?

No âmbito da natureza (terra, ar e mar), o dia será preenchido com passeios nas levadas, de barco a observar cetáceos, a participar no MIUT1 (Madeira Island Ultra Trail), a vivenciar a costa norte, a fazer mergulho…Estas atividades serão complementadas com cultura e gastronomia, que inclui a visita a aldeias típicas, explorar os museus do Funchal, apreciar pratos regionais, visitar adegas e fazer provas de vinhos…

  • porto santoComo ‘vender’ o destino Porto Santo?

O destino é  caraterizado por uma elevada sazonalidade. Estão definidas duas fases de evolução. A primeira, entre 2015-2017, centra-se na praia, ‘produto’ valorizado pela construção de pilares de sustentabilidade: económico, social e ambiental. Na segunda frase, até 2020, a aposta é no Modelo bem-estar complementado com praia. O turista tenderá a procurar a ilha para melhoria do bem-estar físico, mental e emocional…. O Porto Santo será um local onde pode efetuar uma avaliação do equilíbrio físico e mental, fazer tratamentos com areias terapêuticas, yoga, tai chi… A praia surge como complemento diferenciador para bronzear, relaxar e passear.

  • Como implementar as estratégias?

 O estudo define um plano que inclui iniciativas a desenvolver, entidades e programas de acompanhamento e gestão da implementação.

  • O que refere sobre a promoção?

O diagnóstico sobre a atualidade revela que o investimento em promoção, comercialização e eventos é reduzido (1% do Orçamento Regional), atendendo à contribuição do sector para a economia da Região. Só 20 a 25% dos montantes orçamentados para promoção foram executados nos últimos anos. Propõe a criação de um Comité Consultivo para a promoção, constituído por membros da APM, comércio, restauração, Associação de Municípios, operadores turísticos, companhias aéreas, aeroportos, ACIF e Direção Regional do Turismo. O investimento a nível da promoção deverá passar dos atuais 5,5 milhões para 13,5 milhões de euros.

Asa-Delta

Fonte: ACIF, KPMG (2015), Documento Estratégico para o Turismo na RAM (2015-2020), http://www.acif-ccim.pt/Default.aspx?ID=185&Action=1&NewsId=547&M=NewsV2&PID=311

Nota: Para além do Documento Estratégico para o Turismo na RAM (2015-2020), o estudo engloba outros trabalhos complementares: Análise dos potenciais Mercados Emissores relevantes’, ‘Relatório diagnóstico ao atual posicionamento da Madeira, ‘Apresentação das principais perceções dos stakeholders sobre o Turismo na RAM e ‘Resultados do estudo realizado junto dos turistas (inquérito e focus group)’.