Disto e daquilo

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Desfolhando as páginas da história recente, parece-me perceber que o que distingue os países bem sucedidos dos países como o nosso é o facto de, algures no decurso da sua existência, ter havido uma situação fracturante que levou a que, daí em diante, a organização social, política e, consequentemente, a situação económica adquirissem uma dinâmica que determinou o seu sucesso.

Podemos relembrar um desses acontecimentos, para exemplificar: Inglaterra, 1688 (Revolução Gloriosa). À vista do descalabro em que se tinha tornado o reinado de James II (dinastia Stuart) que, além do mais, privilegiava a questão religiosa (luta entre católicos e protestantes) em detrimento da governação, os líderes do partido Tory, até então leais ao rei, uniram-se com membros da oposição Whig e resolveram solucionar a crise. Deposto James II, após algumas peripécias mais ou menos caricatas, o Parlamento do Reino Unido fez aprovar a Bill of Rights (Declaração de Direitos) que acabou com as tentativas de instauração do absolutismo monárquico sem, no entanto, acabar com a monarquia e circunscreveu os poderes do rei. Ficou, assim, a coroa submetida ao Parlamento.

Embora tenha criado, na época, algum efeito negativo na população, acabou com o regime absolutista submetendo o poder real ao Parlamento e abriu caminho à evolução social e económica que culminaria na Revolução Industrial do século XVIII.

A valorização da ciência, a liberdade individual e a crença no progresso incentivaram o homem a inventar máquinas e a organizar o trabalho de um modo mais produtivo e lucrativo.

Embora a Revolução Industrial tenha sido feita um pouco à custa do sacrifício da nova classe social emergente – o proletariado industrial urbano – não se pode negar ter sido fundamental para o desenvolvimento económico e social do mundo e de ter mudado radicalmente a vida da humanidade.