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São Padre Pio: um frade que rezava
São Padre Pio de Pietrelcina (1887–1968) foi um frade capuchinho e sacerdote italiano, conhecido mundialmente pelos estigmas, pela vida de oração e por uma obra hospitalar que continua a salvar vidas. Canonizado em 2002 por São João Paulo II, tornou-se um dos santos mais populares da Igreja Católica, com festa litúrgica a 23 de setembro.
Origens e vocação
Francesco Forgione nasceu em 25 de maio de 1887, em Pietrelcina, uma pequena localidade no sul de Itália, filho de camponeses pobres mas de grande fé, Grazio Forgione e Maria Giuseppa de Nunzio. Desde criança, mostrava uma piedade fora do comum: evitava brincadeiras em que se diziam blasfémias, passava longas horas em oração e, segundo relatos, desde os cinco anos já tinha experiências místicas, como visões e êxtases.
Aos 16 anos, entrou no noviciado dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, adotando o nome de Frei Pio. Foi ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1910 e, após alguns anos com a família por motivos de saúde, foi enviado, em setembro de 1916, para o Convento de Santa Maria das Graças, em San Giovanni Rotondo, onde permaneceria até à morte.
Estigmas e dons espirituais
Padre Pio é o primeiro sacerdote da história a ter recebido de forma permanente os estigmas de Cristo: as marcas da crucifixão nas mãos, nos pés e no lado, além de outras feridas associadas à Paixão. Segundo os registos, os estigmas manifestaram-se de modo definitivo em 20 de setembro de 1918 e permaneceram visíveis até à sua morte, em 1968.
Ao longo da vida, foram-lhe atribuídos diversos carismas e dons espirituais, entre eles a bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo), a leitura de consciências no confessionário, curas de enfermos e o chamado “perfume de santidade”, um aroma agradável associado à sua presença ou a objetos que lhe pertenciam. Estas manifestações, juntamente com a sua fama de confessor incansável, atraíram a San Giovanni Rotondo milhões de peregrinos de todo o mundo.
“Um pobre frade que reza”
Apesar da notoriedade, Padre Pio definia-se de modo muito simples: “um pobre frade que reza”. A sua espiritualidade assentava em três pilares fundamentais: a Eucaristia, a oração e o sacramento da Confissão, a que dedicava muitas horas do dia, ouvindo penitentes com paciência e exigência.
A sua vida foi marcada também por sofrimento físico e por provações interiores, incluindo períodos de investigação canónica e calúnias, que ele aceitou como participação na cruz de Cristo. Para o santo, a dor, quando vivida por amor, transformava-se em caminho de santidade e em intercessão pelos outros.
A Casa Alívio do Sofrimento
Uma das suas grandes obras concretas foi a fundação, em 1956, da “Casa Sollievo della Sofferenza” (Casa Alívio do Sofrimento), um hospital moderno em San Giovanni Rotondo, construído com a ajuda do povo e destinado a aliviar as dores e misérias de tantas famílias. Esta instituição, ainda hoje em atividade, é considerada um dos legados mais visíveis da sua caridade prática.
Morte, canonização e devoção
Padre Pio morreu na noite de 23 de setembro de 1968, aos 81 anos, após celebrar a sua última Missa e receber os sacramentos. A fama de santidade cresceu rapidamente após a sua morte, e a sua sepultura tornou-se um dos principais destinos de peregrinação em Itália.
Foi beatificado em 1999 e canonizado em 16 de junho de 2002, pelo Papa São João Paulo II, na Praça de São Pedro, diante de uma multidão imensa. A Igreja estabeleceu a sua memória litúrgica para 23 de setembro, dia da sua morte, e a devoção ao santo espalhou-se por todo o mundo, incluindo comunidades de língua portuguesa.
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