Afinal, quem é o teu próximo?

Fotos FN

Há imagens que dispensam palavras. Estão gastas porque encontram as muralhas do silêncio, as portas fechadas e a tirania da indiferença. E eram três que perderam o relógio da vida… As palavras são pérolas preciosas, quando adequadamente utilizadas. No caso a que a imagem se reporta, definitivamente, as palavras estão gastas porque deixou de ser urgente Amar, ver por dentro, agarrar o outro – o irmão – que caiu no absurdo.

Neste sábado, final da manhã, entre a despedida do sol de verão e o olhar de soslaio de outono, estes rostos bem conhecidos da cidade adormeceram no tempo, perderam tudo quanto aprenderam e mostram a miséria humana sem pudor. Até quando?

Talvez fosse útil que os responsáveis pela dimensão social descessem ainda mais à terra, a este quotidiano que nos embaraça e envergonha. Não ignorar ou embrulhar com promessas ou impossíveis ou sorrisos postiços.  Vale a pena ler o livro da Irmã Elvira, Abraço, da Comunidade Cenacolo, (ela pegou nos mendigos e toxicodependentes e deu-lhes um projeto de vida) ou então recordar a leitura da Bíblia, a parábola do Bom Samaritano. Não apenas para ler e fazer belos discursos – gastos, tão gastos e sem crédito, porque não passam da palavra – mas para Viver no dia a dia:  Lucas, 10-25 e ss: 25Um certo doutor da lei, que queria experimentar Jesus, levantou-se e fez-lhe esta pergunta: «Mestre, que devo eu fazer para ter direito à vida eterna?» 26«Que diz a Escritura acerca disso?», respondeu-lhe. «Como é que a entendes?» 27E ele disse: «Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a alma, com todas as forças e com todo o entendimento. E ama o teu próximo como a ti mesmo28Jesus comentou: «Respondeste bem. Faz isso e alcançarás a vida.» 29Mas o doutor da lei, querendo justificar-se, tornou a perguntar: «E quem é o meu próximo?» 30Então Jesus contou o seguinte: «Ia um homem a descer de Jerusalém para Jericó. Caíram sobre ele uns ladrões que lhe roubaram roupa e tudo, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o quase morto. 31Por casualidade, descia um sacerdote por aquele caminho. Quando viu o homem passou pelo outro lado. 32Também por lá passou igualmente um levita que, ao vê-lo, se desviou. 33Entretanto, um samaritano que ia de viagem passou junto dele e, ao vê-lo, sentiu compaixão. 34Aproximou-se, tratou-lhe os ferimentos com azeite e vinho e pôs-lhe ligaduras. Depois colocou-o em cima do seu jumento, levou-o para uma pensão e tratou dele. 35No outro dia, deu duas moedas de prata ao dono da pensão e mandou-lhe: “Cuida deste homem, e quando eu voltar pago-te tudo o que gastares a mais com ele.”» 36Jesus perguntou então ao doutor da lei: «Qual dos três te parece que foi o próximo do homem assaltado pelos ladrões?» 37E ele respondeu: «O que teve compaixão dele.» Jesus concluiu: «Então vai e faz o mesmo.»


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