JPP pede ajustamento ao novo modelo para escolha de vagas no internato médico

A Juventude do Juntos Pelo Povo (JJPP) veio juntar-se à Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) e ao Sindicato dos Médicos do Norte na preocupação com o novo modelo de escolha de vagas para a formação especializada do internato médico.

“Até aqui, a escolha era sequencial e em tempo real: cada candidato sabia exactamente que vagas continuavam disponíveis. O novo modelo, assíncrono e por lotes, pode obrigar os candidatos a ordenar previamente dezenas ou centenas de vagas, dependendo da dimensão dos lotes e das regras que ainda faltam esclarecer”, refere Nino Pereira, dirigente da Comissão Política da Juventude dos Juntos pelo Povo. “Não é a digitalização que está em causa, mas o desenho do processo”.

Na sua visão, se, para não ficar sem colocação, um jovem médico tiver de ordenar vagas que nunca escolheria, resta-lhe aceitar uma especialidade que não quer durante cinco ou seis anos, ou concorrer novamente no ano seguinte.

“Uma vaga atribuída e posteriormente recusada pode traduzir-se em capacidade formativa desaproveitada, se não existir um mecanismo eficaz para a disponibilizar a outro candidato, num Serviço Nacional de Saúde (SNS) que precisa de aproveitar a sua capacidade formativa para formar especialistas que necessita”, sublinha, notando que “o candidato seguinte na lista pode ficar sem uma vaga que aceitaria de bom grado”.

Para um médico madeirense, aceitar uma vaga no continente significa deixar a Região durante quatro, cinco ou seis anos. O inverso é igualmente válido para quem queira formar-se no SESARAM. “Falo também como alguém que vai passar, em breve, por este processo. Não são decisões abstratas, são o futuro de centenas de colegas meus”, adverte Nino Pereira, que é também finalista no curso de Medicina.

Para a Juventude do JPP ficam por responder perguntas essenciais: “Quantos candidatos integram cada lote? Quantas vagas terá cada médico de ordenar e o que acontece a uma vaga recusada?”, questiona a estrutura partidária. “Defendemos um mecanismo transparente que permita que uma vaga libertada seja disponibilizada ao candidato seguinte que efectivamente a pretenda”.

A JJPP apela a que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) publique as regras de forma clara, pondere ajustar o calendário do concurso até que as dúvidas estejam dissipadas. “Quem escolhe hoje uma especialidade, escolhe os próximos anos da sua vida, e merece fazê-lo com informação, não no escuro”, conclui Nino Pereira.


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