Rui Marote
Estepilha, quando grelhas de águas pluviais, calçadas ou tampas de saneamento em zonas históricas de grande fluxo turístico e residencial ficam degradadas, transformam-se em verdadeiras armadilhas físicas que podem provocar quedas. As fotos que ilustram este texto alerta são elucidativas e o carrinho de bebé chama a atenção para o estado degradado a que chegou a herança para a edilidade funchalense na zona do Largo D. Manuel I e não só.
O Campo do Duque era uma área de terreno baldio ou agrícola no século XV, situada na zona central do Funchal ,que serviu de núcleo para o planeamento e expansão urbanos da cidade. Em 1485 ,D. Manuel (então Duque de Beja e Grão Mestre da Ordem de Cristo, e futuro rei) doou este chão ao Município do Funchal.
O que resta do Campo do Duque é o espaço livre em frente à Catedral, que acabou por receber vários nomes ao longo dos séculos (como Terreiro da Sé, Passeio Público, Praça da Constituição e Praça da República) antes de ser definitivamente baptizado como Largo D. Manuel I, em homenagem ao rei que doou os terrenos para o desenvolvimento do Funchal durante um dos mandatos de Miguel Albuquerque como presidente da Câmara do Funchal (por proposta do do autor deste Estepilha quando deputado municipal).
O Campo do Duque original era uma área bastante ampla de canaviais. Estendia-se desde a ribeira de Santa Luzia até a zona onde hoje fica a Fortaleza de São Lourenço. Conforme a cidade foi se urbanizando a partir do final do século XV, esse grande descampado agrícola deu lugar a ruas e praças. Antes da edificação urbana, crê-se que o local foi usado em experiências iniciais de cultivo e aclimatação de cana-de-açúcar na ilha.
Pretendeu-se criar um novo centro cívico e religioso, destinando o espaço à construção de uma praça pública, dos primeiros Paços do Concelho (Câmara Municipal) e da “igreja grande” que viria a tornar-se na Sé do Funchal.
A herança de D. Manuel I, o Venturoso, moldou profundamente a identidade urbanística, arquitectónica e cultural de Portugal e da Madeira. O património manuelino é um dos maiores símbolos históricos do país, e o sentimento de que essa herança está a ser desrespeitada ou esquecida devido à falta de manutenção do espaço público é partilhado por cidadãos e historiadores.
O Largo D. Manuel I é zona de passagem e de encontro dos turistas que visitam a nossa “jóia da coroa”, a Sé do Funchal. E o que se vê no pavimento do mesmo não é de molde a agradar nem a turistas nem a residentes, exigindo atenção.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.








